Pular para o conteúdo principal

Perambulando #12 - Mariana Magnavita

Mariana Magnavita, no seu 1º show em Salvador-BA

Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Ontem foi o show de estreia em terra soteropolitana da baiana expatriada Mariana Magnavita, 27, cantora e compositora radicada em Oxford (Ing) há 16 anos. Aproveitando férias por aqui, juntou-se à produção precisa de Érica Telles e Ricardo Dantas, e apresentou um show intimista, no aconchego do Ciranda Café (Fonte do Boi, Rio Vermelho), baseado em seu 1º CD, White, lançado de forma independente na gringa.

Acompanhada pela precisão dos excelentes músicos Jorge Solovera (violão e direção musical), Fernanda Monteiro (violoncelo) e Laura Jordão (viola), Mariana abriu o show sozinha, cantando London London, de Caetano Veloso. O público, repleto de amigos e familiares, lotou o espaço sentado no chão, em almofadas, numa situação um pouco desconfortável, e o ar condicionado não funcionou direito. Mesmo assim, a voz suave e precisa, amparada por uma fragilidade cândida, aconchegou-se ao colo da plateia, e desde a primeira canção entoada, ganhou a graça de todos.


Mariana Magnavita - Smugglers Land



Mariana Magnavita - I Ask My Father



A afinação correta e a empostação lírica, Mariana trouxe de sua experiência como cantora de coral. Ela deu um tempo de sua carreira no audiovisual pra poder dedicar-se à música que, por mais que não trate disso, é um percurso de carreira que não depende de tanto e tantos outros.

À vontade em seu 1º show em Salvador, a cada início de música, comentava o que a letra tratava, pra firmar mais ainda a sua “roda de violão e amigos” que caracterizou sua apresentação. Risadas, com a freqüência constante de comentários sobre o desamor, muso de várias canções. Sem esquecer da malícia sutil que deixou escapar (ou quis que) ao falar sobre o amor livre, de meio período, de que trata sua canção Part Time Honey, logo abaixo. Nada mais “verão na Bahia ê” que esses amores para situações específicas. Folk-se!


Mariana Magnavita - Part Time Honey



Mariana Magnavita - Things That Go Around



Mariana Magnavita - We Walk Alone



Se você gostou do som da Mariana Magnavita, aproveite que no próximo sábado, dia 06 de março, ela faz um repeteco do show no mesmo bat-local -horário que este: Ciranda Café Cultura e Artes, na Fonte do Boi (Rio Vermelho), 21h, $10, com a discotecagem astral do DJ Munch na sequencia.

-----------------




Mariana Magnavita







.

Comentários

emmibi disse…
Mto legal, baby. Ela é exatamente o q me lembro dela. Bjocas!
Luiz Ricardo disse…
OI Emmanuel! Bacana o registro que fez.
abs
Ricardo

Postagens mais visitadas deste blog

Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...

Dez passagens de Clarice Lispector no livro Laços de família

Clarice Lispector (foto daqui ) “A mãe dele estava nesse instante enrolando os cabelos em frente ao espelho do banheiro, e lembrou-se do que uma cozinheira lhe contara do tempo do orfanato. Não tendo boneca com que brincar, e a maternidade já pulsando terrível no coração das órfãs, as meninas sabidas haviam escondido da freira a morte de uma das garotas. Guardaram o cadáver no armário até a freira sair, e brincaram com a menina morta, deram-lhe banhos e comidinhas, puseram-na de castigo somente para depois poder beijá-la, consolando-a. Disso a mãe se lembrou no banheiro, e abaixou mãos pensas, cheias de grampos. E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em que mataremos por amor. Então olhou para o filho esperto como se olhasse para um perigoso estranho. E teve horror da própria alma que, mais que seu corpo, havia engendrado aquele ser apto à vida e à felici...