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Poemas, de Daniel Lima — Parte 01

Daniel Lima
Foto: Cepe/Divulgação | Arte: Mirdad


"Nada aprendi na vida
senão esta lição:
que sou provisório e de passagem"


"Muitas vezes só alcanço a alma
da verdade dando-lhe o corpo e
a forma do absurdo"


"Porque tudo compreende,
o amor tudo aceita.

E, por tudo aceitar, o amor encontra,
naquilo que o define,
a sua perdição.

Porque compreende, aceita.
Por aceitar, destrói-se.

Como te salvarei, amor,
dessa contradição?"


"A recordação de tudo o que foi antes.
A ansiosa certeza do que virá depois.

E, no meio, estrangulado,
o impercebido agora,
o único que é vida.

Esta, a essência do ser, do tempo feito,
tempo que o torna êxtase e agonia"


"Para amar o Brasil
é preciso paciência,
aquela doce e amável,
aquela burra paciência
que nos faz suportar o patriotismo idiota
dos que amam a bandeira e o hino
mais que o povo,
dos que adoram os símbolos e traem a realidade

Para amar o Brasil
só com muita paciência.
E muita imaginação"


"Metida nesta espelunca
de um corpo errado e malfeito
que a mágoa pisa e trunca
minha alma é toda sem jeito
alma só de raro em nunca"


"A vida nunca é inteira,
só se dá aos pedaços.
Nunca se vive tudo.
Nunca se vive todo.

A vida é sempre quase"


"Toda viagem que faço,
longe embora, é sempre assim:
se me afasto, em cada passo
mais me vejo e me embaraço,
vou sempre esbarrar em mim"


"Não desejo que ninguém se lembre de mim
como de um indivíduo cheio de utilidade
como de uma chave de fenda
um abridor de garrafas, um desentupidor de pias,
uma panela de pressão ou um rolo de papel higiênico

Quero ir adiante, na inutilidade do amor de que sou feito,
fiel à substância da vida, que é dom de todo gratuito,
que vale unicamente pelo que é,
na singeleza de sua realidade nua"


"D.Quixote era louco.
Foi à luta e perdeu.

Se houvesse ganho,
os poetas do mundo inteiro
estariam perdidos"




Trechos extraídos do livro "Poemas" (Cepe, 2011), de Daniel Lima.

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