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Melhores do jornal Rascunho #207



Como é bom ser camaleão, de Chacal
Impressiona a homogênea toada, batida, dicção que Chacal sustenta desde 1971
[Wilberth Salgueiro]
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As ruínas do acaso
Os ensaios de Montaigne são o registro do seu desaparecimento, o abandono final diante da própria morte
[Martim Vasques da Cunha]
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Operário da ruína
A poesia de Augusto dos Anjos utiliza as duras engrenagens da ciência para escancarar de coisas minúsculas a abismos
[Rafael Zacca]
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Chantal Maillard
Três poemas de Chantal Maillard
[Tradução de Adriana Lisboa]
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A era da suspeita
Certezas, convicções, crenças, princípios,
nada disso interessa aos grandes escritores
[José Castello]
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Trilogia da perdição
Em torno da maldade três obras se conectam, se refletem, pavorosas
[Nelson de Oliveira]
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Turbulentas descobertas
Romances de Ferenc Molnár e Rodrigo Lacerda tratam — de maneiras muito distintas — da passagem da infância rumo à vida adulta
[Carolina Vigna]
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Viajar não acaba nunca
Viajar não tem perfectivo, viajar não termina nunca
[Tércia Montenegro]
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Atrás das terras do Sem-fim
O clássico "Cobra Norato", de Raul Bopp, é prova do quanto a poesia é capaz de resistir a interpretações equivocadas
[Marcelo Reis de Mello]
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O grito do mar na noite no site do jornal Rascunho

Resenha do livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), publicada no Rascunho #192, de abril de 2016, por Clayton de Souza, disponível para leitura no site do jornal.

Leia aqui

A mesma resenha na versão impressa do jornal aqui

Foto do autor: Sarah Fernandes

Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques no livro Da arte das armadilhas

Ana Martins Marques (foto daqui)

Espelho
Ana Martins Marques

                                     d’après e. e. cummings

Nos cacos
do espelho
quebrado
você se
multiplica
há um de
você
em cada
canto
repetido
em cada
caco

Por que
quebrá-
-lo
seria
azar?


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Teatro
Ana Martins Marques

Certa noite
você me disse
que eu não tinha
coração

Nessa noite
aberta
como uma estranha flor
expus a todos
meu coração
que não tenho


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Penélope
Ana Martins Marques

Teu nome
espaço

meu nome
espera

teu nome
astúcias

meu nome
agulhas

teu nome
nau

meu nome
noite

teu nome
ninguém

meu nome
também


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Caçada
Ana Martins Marques

E o que é o amor
senão a pressa
da presa
em prender-se?

A pressa
da presa
em
perder-se


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A festa
Ana Martins Marques

Procuramos um lugar
à parte.
Como se estivéssemos
em uma festa
e buscássemos um lugar
afastado
onde pudéssemos
secretamente
nos beijar.
Procuramos um lugar
a salvo
das palavras.

Mas esse
lugar
não há.


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"Um dia vou aprender a partir
vou partir
como qu…

Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques em O livro das semelhanças

Ana Martins Marques (foto: Rodrigo Valente)

Coleção
Ana Martins Marques

                                        Para Maria Esther Maciel

Colecionamos objetos
mas não o espaço
entre os objetos

fotos
mas não o tempo
entre as fotos

selos
mas não
viagens

lepidópteros
mas não
seu voo

garrafas
mas não
a memória da sede

discos
mas nunca
o pequeno intervalo de silêncio
entre duas canções


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Ana Martins Marques

Combinamos por fim de nos encontrar
na esquina das nossas ruas
que não se cruzam


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Mar
Ana Martins Marques

Ela disse
mar
disse
às vezes vêm coisas improváveis
não apenas sacolas plásticas papelão madeira
garrafas vazias camisinhas latas de cerveja
também sombrinhas sapatos ventiladores
e um sofá
ela disse
é possível olhar
por muito tempo
é aqui que venho
limpar os olhos
ela disse
aqueles que nasceram longe
do mar
aqueles que nunca viram
o mar
que ideia farão
do ilimitado?
que ideia farão
do perigo?
que ideia farão
de partir?
pensarão em tomar uma estrada longa
e não olhar para tr…