Pular para o conteúdo principal

Perambulando #11 - Tiganá & Luiz Brasil

Luiz Brasil e Tiganá Santana

Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Depois de alguns meses fora do ar, a seção volta com tudo; de primeira mão, exclusivo do blog El Mirdad - Farpas e Psicodelia, destaco, na íntegra, o show da dupla espetacular de músicos baianos Tiganá Santana e Luiz Brasil, que rolou no dia 13.01.10 no restaurante Tom do Sabor, Rio Vermelho, em Salvador-BA. Acompanhados pelo exímio percussionista baiano Antenor Cardoso, os amigos celebraram a eficiente parceria que foi concretizada no álbum Maçalê, que será lançado em breve. Trata-se do álbum de estreia de Tiganá, que foi produzido por Luzbra, fruto de um edital ganho (1º lugar) em 2008.

Dois violões, aço e nylon, a percuteria de Antena e um repertório conciso, autoral de ambos, acrescido de duas canções do eterno mestre Dorival Caymmi. Nada mais que isso. E a plateia hipnotizada, nas confortáveis instalações do restaurante musical. É o bastante. Reverenciem a unidade do bom som.


Tiganá & Luiz Brasil - Reverência




Tiganá & Luiz Brasil - Querubim




Tiganá & Luiz Brasil - Vazante




Tiganá & Luiz Brasil - Azul Mar




Desde 2008 que acompanho os shows de Tiganá em Salvador. Após uma excelente temporada no Teatro Gamboa, que rendeu os vídeos que fazem parte do Videorelease dele que produzi (veja aqui), o artista ganhou o edital de gravação da Funceb em 1º lugar, entrando em estúdio respaldado por uma grande equipe, chefiada por ninguém menos que Luiz Brasil, o maior produtor musical deste país.

Pra resumir, o caro Luzbra acompanhou Caetano Veloso por dez anos, trabalhando como músico, arranjador e produtor, além de Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia, entre outros. Foi o responsável pela produção e arranjos dos dois maiores sucessos comerciais de Cássia Eller, além de acompanhá-la como músico por divertidos anos também. Enfim, Luiz Brasil é o cara sábio que trabalha assim: o músico faz um take ruim, ele não diz “de novo”, e sim “então, vamos ouvir pra ver se ficou bom?”; mesmo que saiba que tá ruim, desse jeito, ele faz com que o músico ouça e reconheça ele próprio o erro; assim, não se envergonha e faz melhor no próximo take. Vi isto ao vivo. Esse sim é um profissional competente e sábio!

Surgiu então a parceria Tiganá e Luiz Brasil, que pariu um super álbum de música brasileira, que pela primeira vez na história fonográfica deste país, traz canções autorais gravadas em línguas africanas. E em francês também, como veremos abaixo. Maçalê já está disponível para compra (veja aqui), e pode ser ouvido aqui também.

Prossigamos com o show. Agora, pra mim, o grande momento do show: Tiganá interpretando a bela canção Vou Ver Juliana, do eterno mestre Dorival Caymmi. Que autoridade, meu caro! Poucos conseguem tal intenção itaponzeira! Como disse ontem pra ele: “Tiga, irmão, tenho certeza de que o mestre ficou contente, onde ele estiver”.


Tiganá & Luiz Brasil - Vou Ver Juliana




Tiganá & Luiz Brasil - A Luz do Oculto e o Sol do Sentimento




Tiganá & Luiz Brasil - Madalena




Tiganá & Luiz Brasil - Le Mali Chez La Carte Invisible





Desde o final da temporada do Teatro Gamboa, em 2008, que Tiganá faz alguns shows memoráveis em parceria com grandes músicos. O primeiro foi com o guitarrista sobrenatural Mou Brasil, um encontro “cabeçudaço”,que rendeu a belíssima canção Vencerá o Amor, que algum dia postarei aqui no blog; Tiganá prevê que venha gravá-la no seu próximo disco. Depois, foi a vez do mestre Roberto Mendes, com o show Vozes no Espelho; apenas voz e violão, numa incrível sintonia, registrada inclusive pela Perambulando (reveja aqui). Com o santamarense sábio (que afirma que Tiga veio antes dele), o compositor construiu a bela canção Sobre o Amor que Não Fez Bem, que também poderá entrar no próximo disco.

E, por fim, por enquanto, aproveitando a breve estadia de verão do amigo Luzbra, este show de supetão, acompanhados pela percussão sempre precisa e vibrante de Antenor Cardoso, vulgo Antena, que a Perambulando tem o enorme prazer de divulgar na íntegra, sem cortes.


Tiganá & Luiz Brasil - Cipó




Tiganá & Luiz Brasil - Festa de Rua




Tiganá & Luiz Brasil - Muloloki




Tiganá & Luiz Brasil - Dembwa (10 de Agosto)




Tiganá & Luiz Brasil - Do Fundo




E este foi o show na íntegra (e na ordem exata de apresentação das músicas) de Luiz Brasil e Tiganá Santana, que aconteceu no restaurante musical Tom do Sabor, na quarta-feira 13.01.2010. O blog El Mirdad - Farpas e Psicodelia agradece a Marcus Ferreira, por ter renderizado os vídeos, e a Minêu, por ter emprestado a câmera HD.

.

Comentários

Zanom. disse…
Não deu para eu ver tudo ainda, mas já agradeço pelo presente.

Vou curtir muito mais, tenho certeza.

Valeu irmão!
Cebola disse…
Fantástico... vou vendo aos poucos daqui.Pluralizando a rede, hein pai?

Postagens mais visitadas deste blog

Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Dez passagens de Clarice Lispector nas cartas dos anos 1950 (parte 1)

Clarice Lispector (foto daqui ) “O outono aqui está muito bonito e o frio já está chegando. Parei uns tempos de trabalhar no livro [‘A maçã no escuro’] mas um dia desses recomeçarei. Tenho a impressão penosa de que me repito em cada livro com a obstinação de quem bate na mesma porta que não quer se abrir. Aliás minha impressão é mais geral ainda: tenho a impressão de que falo muito e que digo sempre as mesmas coisas, com o que eu devo chatear muito os ouvintes que por gentileza e carinho aguentam...” “Alô Fernando [Sabino], estou escrevendo pra você mas também não tenho nada o que dizer. Acho que é assim que pouco a pouco os velhos honestos terminam por não dizer nada. Mas o engraçado é que não tendo absolutamente nada o que dizer, dá uma vontade enorme de dizer. O quê? (...) E assim é que, por não ter absolutamente nada o que dizer, até livro já escrevi, e você também. Até que a dignidade do silêncio venha, o que é frase muito bonitinha e me emociona civicamente.”  “(...) O dinhei...

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...