Costumo peneirar os trechos prediletos dos livros que leio (compilo aqui), e não poderia deixar de fora o “oroboro baobá”, o meu primeiro romance, lançado virtualmente nas minhas redes e publicado pela Penalux em 2020. Nessa terceira parte do garimpo, a entidade Mokamassoulé entrega a bebê Miwa para Bartira, as negras Benivalda e Bartira acolhem as índias Nara e Luzia, a menina Miwa e a África, o pataxó Burianã quer ser aceito em Caraíva, a polícia não quer investigar assassinato do abneto de Mbamba, a negra rica Bárbara ignora o irmão escravizado, o romance de Dona Tonica e Ranolfo, o goleiro Montanha é preso, e a defesa espectral de Montanha garante Porto Seguro na semifinal do Amadô.
Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...









Comentários