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Pílulas: O Oco-Transbordo, de Tiganá Santana

Tiganá Santana (fotos: Rodrigo Sombra - interferidas por Mirdad)


Reconhecido como cantor e compositor, com dois álbuns lançados (Maçalê e The Invention of Colour), o soteropolitano do mundo Tiganá Santana começou mesmo na poesia, a origem, tua raiz. O dom primeiro deste talentoso amigo, por incrível que pareça, não é sua voz poderosa, e sim o dom da palavra, que ele tem respeito e reverência declarada, e esmera cada linha que escreve. Mas a música captou-o mais forte, e a produção dos versos foi se encontrar enquanto matéria pública na forma de canções. Insisti como pude em cada encontro ("Irmão, você tem que ser publicado") e finalmente este ano, em uma digna forma artesanal, chega ao mundo "O Oco-Transbordo" (2013/Rubra Cartoneira Editorial), seu primeiro livro e de poemas, como sempre destinou-se a ser. Abaixo, as pílulas do recomeço de meu nobre irmão:



Parte I
Leia aqui

"A morte
é o que a sinopse
não abordou"





Parte II
Leia aqui

"A espera detona os explosivos por não pertencer ao tempo. E, no que não pertence ao tempo, repassa-o às mãos da realidade"



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Nos cacos
do espelho
quebrado
você se
multiplica
há um de
você
em cada
canto
repetido
em cada
caco

Por que
quebrá-
-lo
seria
azar?


--------


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espaço

meu nome
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teu nome
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meu nome
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teu nome
nau

meu nome
noite

teu nome
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--------


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--------


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lepidópteros
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garrafas
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mas nunca
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entre duas canções


--------


Ana Martins Marques

Combinamos por fim de nos encontrar
na esquina das nossas ruas
que não se cruzam


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Ana Martins Marques

Ela disse
mar
disse
às vezes vêm coisas improváveis
não apenas sacolas plásticas papelão madeira
garrafas vazias camisinhas latas de cerveja
também sombrinhas sapatos ventiladores
e um sofá
ela disse
é possível olhar
por muito tempo
é aqui que venho
limpar os olhos
ela disse
aqueles que nasceram longe
do mar
aqueles que nunca viram
o mar
que ideia farão
do ilimitado?
que ideia farão
do perigo?
que ideia farão
de partir?
pensarão em tomar uma estrada longa
e não olhar para tr…