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Olhos abertos no escuro - Trechos dos contos

Emmanuel Mirdad (foto: Sarah Fernandes)


Olhos abertos no escuro (Via Litterarum, 2016) é o novo livro do escritor, compositor e produtor Emmanuel Mirdad, e traz 30 contos, que tiveram alguns trechos selecionados para que o público pudesse ter uma noção do conteúdo da obra. Confira abaixo:


Contos reflexivos e poéticos


Qualquer um volta pra casa, depois do trabalho, e percebe que é só mais um medíocre solitário na multidão de medíocres, que vai morrer só e o seu legado é tão pífio que rapidamente será esquecido, por qualquer um.

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Um astro da música brasileira rememora a sua importância para o público e imprensa, remexe as suas lembranças contraditórias e assume o fracasso de ser apenas uma caricatura "genial" que a sua carreira forjou no imaginário popular.

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Um solitário porteiro leva uma vida repetitiva e ordinária, até que um par de sapatos vermelhos importados provoca o fatal alumbramento repentino, forjando o mito do bacana em quem nunca deixou de ser medíocre — embora que ambos sejam ordinários, ao fim.

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Um profissional, por conta do acaso, se fascina pelo pôr do sol. Outro, caminha pela areia da praia, de terno, desolado. Encontram-se, desabados. O que há de comum além da dor e da redenção?

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O mendigo Maestro, bem-humorado e carismático pensador, morador da calçada do açougue, é assediado para disputar as eleições, candidato-fantoche da vez.

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As decepções do professor Belizário com a literatura e o encontro de um zumbi telepático, que oferece lições filosóficas a anjos e transeuntes carnais, com a empresária Aisha, cuja especialidade é faturar em cima de mitos burgueses.

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Para-raios de malucos brutalistas: Cristal, Thiago, Andrômeda, Tavinho, Moloko Veloz, Mestre Ganja, Fuça-fuça, Peripinho, Xica, Virussapiens, Fantasma Comparsa, Carrapatos Suspensos, Mendigos Cheirosos e I’m tired, todos girando no balão frágil.

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Um medíocre solitário ganha sozinho o prêmio de 47 milhões de reais. E, na noite da revelação, vai da euforia incontrolável à paranoia suprema. O que fazer? Quem procurar? Em quem confiar? Onde guardar o papelzinho de merda, única prova que dará acesso à vida de luxo e ostentação?

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Contos sobre relações afetivas



A assessora de imprensa Madá esbagaça a sua vida por conta de uma obsessão tresloucada pelo misterioso mímico de rua Absoluto, sem palavras, só gestos.

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Manuela, 15 anos, estudante. Davi, médico. Colegas de natação. Da sedução matreira da garota à proposta arriscada e cretina.

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O velho pai, doente e fraco, observa a sua filha, nobre e ilustre, laureada de prêmios e acúmulos de títulos, que está surpreendentemente frágil, à beira de um riacho, trágica.

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Mataram a Rita! E uma das peças, apaixonada pela bucha de sena, irrita-se com a jogada tonta que vitimou a sua musa, e escapole do tabuleiro de dominó, iniciando a saga surreal da alucinação.

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O romântico nunca deixou de amar as mulheres que um dia declarou o seu amor libertário. De encontro em desencontro, o encanto de uma nova tentativa a livrá-lo dos desencantos da ilusão faminta, da reles possessão desesperada.

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O marido descobre a traição da esposa e resume a sua mediocridade enquanto homem na obsessiva pergunta, a única que lhe interessa: "Vocês transaram?"

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Os seis dias de Carnaval de uma mãe solteira, duas filhas pequenas, entre a arrochada de camisola no corredor do hotel para um strip-tease via Skype a uma fossa regrada ao brilhante esmagamento do indivíduo pelo Estado no filme Leviatã.

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Ele é um grande canalha que finge estar só. Ela é uma atriz que pergunta o que nunca poderá compreender. Não existe “nós” no “eu te amo”.

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As peripécias de um ser que atende às necessidades sexuais de diversas mulheres, cada uma com um motivo distinto que justifica a traição.

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Contos policiais



O cadeirante espreita o gigante, munido de pólvora e chumbo, degustando pacientemente o prato cruel da vingança.

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O delegado Mauro caça o Monstro, um psicopata abominável, prolífico em sua matança desenfreada, e uma esfinge extremista: não deixa pistas, impressões digitais e o intento de exterminar a humanidade.

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Um policial corrupto e o seu rolezinho aditivado para vingar o cunhado Pedra 90 e salvar a deputada caô, sequestrada por quatro esfomeados canalhas.

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Contos longos / novelas



A empresária Marília, influente, estrategista, sagaz e bem-sucedida, dona da grife mais valorizada, enfrenta o inimigo implacável: uma doença terminal, repentina e voraz.

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O conquistador confronta um adversário mais viril e poderoso: os falos de pedra maciça da mãe Gaia. As "preda" encantadas do sertão-montanha do Reino!

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Contos curtos

Dois amigos conversam sobre a transitoriedade da vida — todos, sem exceção, passam. | O amigo sensato se encontra com o amigo de coração partido num bar de ponta de esquina. O acaso faz tocar a canção Por enquanto, na voz de Cássia Eller. | Moreno, armado com uma garrafa de água mineral, enfrenta uma barata cascuda na cozinha. Mas ela insiste em não morrer.
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Um pequenino exemplo da diferença no tratamento da opinião pública quando se trata de uma assassina negra e o desencanto do matador de aluguel Claudinho Tamagotchi. | A borboleta da carne e cor do sol é uma musa que flutua e embasbaca o pobre homem da carne e cor do sol.

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Uma mulher disposta ao matriarcado que não consegue arrumar um companheiro. | Uma patrulheira de redes sociais destila a sua inveja em posts corretinhos. | Um homem se torna extremamente sortudo no suposto dia do azar. Demais?

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Posfácio


O escritor e jornalista Carlos Barbosa, autor dos livros Obscenas e Beira de rio, correnteza, entre outros, escreveu o posfácio do livro.
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Orelha


O escritor e roteirista Victor Mascarenhas, autor dos livros Um certo mal-estar, A insuportável família feliz e Cafeína, escreveu a orelha do livro.
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mar
disse
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aqueles que nunca viram
o mar
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que ideia farão
de partir?
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