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Os 10 posts mais acessados do blog em 2020


Abaixo, você confere os dez posts mais acessados neste blog em 2020. A apuração foi feita em 04/01/2021.

1º lugar
A jornada para escrever o romance oroboro baobá — Parte IV (2016)
17/11/2020
4977 acessos
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2º) Seleta: Lisa Hannigan
16/09/2020
1400 acessos
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3º) Livro oroboro baobá (2020), de Emmanuel Mirdad
07/10/2020
359 acessos
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4º) Cinco poemas e três passagens de Wesley Correia no livro laboratório de incertezas
13/02/2020
333 acessos
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5º) Leituras 2020
15/12/2020
306 acessos
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6º) Revisando os anos 10: Filmes
13/03/2020
298 acessos
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7º) Revisando os anos 10: Livros
20/02/2020
272 acessos
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8º) Revisando os anos 10
20/03/2020
264 acessos
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9º-10º) Música para Escrever #44 — All Shall Be Well (AASBWAAMOTSBW), Besides, The Sound of Rescue, Stafrænn Hakon, powder! go away, the abyss inside us, Hiboux, zugabe, Homo_Novus. e 流浪星球
27/02/2020
254 acessos
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9º-10º) Música para Escrever #41 — fragments of an empire, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, madebygrey, Crawl Across the Sky, The Random Monsters, Emprier, Astetal, Random Forest, Macondø e Yenisei
03/02/2020
254 acessos
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Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Dez passagens de Clarice Lispector nas cartas dos anos 1950 (parte 1)

Clarice Lispector (foto daqui ) “O outono aqui está muito bonito e o frio já está chegando. Parei uns tempos de trabalhar no livro [‘A maçã no escuro’] mas um dia desses recomeçarei. Tenho a impressão penosa de que me repito em cada livro com a obstinação de quem bate na mesma porta que não quer se abrir. Aliás minha impressão é mais geral ainda: tenho a impressão de que falo muito e que digo sempre as mesmas coisas, com o que eu devo chatear muito os ouvintes que por gentileza e carinho aguentam...” “Alô Fernando [Sabino], estou escrevendo pra você mas também não tenho nada o que dizer. Acho que é assim que pouco a pouco os velhos honestos terminam por não dizer nada. Mas o engraçado é que não tendo absolutamente nada o que dizer, dá uma vontade enorme de dizer. O quê? (...) E assim é que, por não ter absolutamente nada o que dizer, até livro já escrevi, e você também. Até que a dignidade do silêncio venha, o que é frase muito bonitinha e me emociona civicamente.”  “(...) O dinhei...

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...