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Livro Olhos abertos no escuro (2ª edição, 2026), de Emmanuel Mirdad


“Olhos abertos no escuro”
(Sansevieria Livros, 2ª edição, 2026)
Emmanuel Mirdad
ISBN: 978-65-977385-2-6
20 contos | 156 pg
Capa: Jorge Barreto

O amigo sensato se encontra com o amigo de coração partido num bar de ponta de esquina e o acaso faz tocar a canção “Por enquanto”, na voz de Cássia Eller. Os seis dias de Carnaval de uma mãe solteira, duas filhas pequenas, entre a arrochada de camisola no corredor do hotel para um striptease online a uma fossa regrada ao brilhante esmagamento do indivíduo pelo Estado no filme “Leviatã”. Qualquer um volta para casa, depois do trabalho, e percebe que é só mais um medíocre solitário na multidão de medíocres, que vai morrer só e o seu legado é tão pífio que rapidamente será esquecido por qualquer um. O marido descobre a traição da esposa e resume tudo a uma única pergunta: “Vocês transaram?”.

As peripécias de um ser que atende às necessidades sexuais de diversas mulheres, cada uma com um motivo distinto que justifica a traição. Um astro da música brasileira rememora a sua importância para o público e a imprensa, remexe as suas lembranças contraditórias e assume o fracasso de ser apenas uma caricatura “genial” que a sua carreira forjou no imaginário popular. Uma mulher disposta ao matriarcado não consegue arrumar um companheiro. Uma patrulheira de redes sociais destila a sua inveja em posts corretinhos. Um homem se torna extremamente sortudo numa sexta-feira 13. E dois amigos conversam sobre a transitoriedade da vida; todos, sem exceção, passam.

“Olhos abertos no escuro” e os seus 20 contos, uma constelação de personagens complexos, situações extremas, solidão, acidez, romance, ironia e prosa poética, formatados em contos curtos e minicontos, figurados em três linhagens: reflexivos e poéticos; sobre relações afetivas; e crônica de costumes.

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SUMÁRIO


























[ Orelha ]

“Olhos abertos no escuro” é pontuado por amor e traição, bebidas e drogas, insegurança e solidão, tédio e indignação, sarro e revolta, sexo e medo, cenas de um cotidiano citadino extraídas dessa condição contemporânea de violência obscena, sexo e desorientação psicofilosófica. Uma coleção de contos que apresenta uma plêiade de personagens que vagueiam por aí, levando sua escuridão particular a qualquer hora do dia e da noite, tirando o sono dos leitores.

E quem haveria de dormir remoendo os anos dourados do sucesso fugidio? Como pegar no sono assombrado por zumbis delirantes? Não é de tirar o sono, quando se é viciado em redes sociais e ninguém te curte? Pode acontecer com qualquer um e de que importa se acontece, quando somos todos assombrados pela impermanência ou pela erosão implacável do tempo? Em “Olhos abertos no escuro”, percebe-se o prazer do autor em contar, o gosto pelo detalhe, pela exploração das possibilidades de uma cena e sua entrega à história que pede para ser contada, sem censura, com destemor.

A cada página, a solidão maníaca dos personagens se exibe quase que pornograficamente e se esfrega na cara do leitor, sempre numa prosa caudalosa, que não poupa a misantropia domesticada; os zumbis vagueiam pelo escuro das suas histórias em um círculo vicioso que envolve desde a mais banal dor de cotovelo ao mais sofrido fracasso. “Olhos abertos no escuro” encerra a contística de Emmanuel Mirdad e é uma oportunidade de pressentir os romances que ele engendra em sua máquina de retorcer e espicaçar personagens. Seguimos todos de olhos abertos na escuridão, enquanto o sol não nascer para dissipar o breu da noite.


Emmanuel Mirdad (foto: Leo Monteiro)

[ Bio ]

Emmanuel Mirdad

Baiano de Salvador, de outubro de 1980, formado em Jornalismo pela Facom/UFBA, é leitor e autor dos livros “oroboro baobá” (romance), “O grito do mar na noite”, “Abrupta sede” e “Olhos abertos no escuro” (contos), “Nostalgia da lama” (poemas), “O enigma de Mutujikaka — A jornada para escrever um romance” (memórias) e “O lampião e a peneira do mestiço” (crônicas/memórias).

Produtor cultural desde 1999, criador da Flica, Flikids e Culturaê, entre outros eventos, é empresário e sócio-diretor da Mirdad Cultura, especialista em criar, produzir e atuar como curador e coordenador geral de festas literárias e festivais diversos. Atua também como editor, diretor artístico e produtor musical.

Compositor, possui mais de sessenta músicas gravadas, entre rock e reggae progressivo e psicodélico, blues, groove, pop e experimental, em inglês e português, e mais de dez trabalhos lançados, entre singles, EP’s e álbuns, com destaque para o seu projeto musical Orange Poem, com mais de 500 mil views no canal do YouTube.

Arte: Jorge Barreto

1ª edição conheça aqui

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