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Que seja duro enquanto sempre
Emmanuel Mirdad
O bar é de ponta de esquina. Um boteco. O amigo sensato se encontra com o amigo de coração partido, após um breve telefonema-resgate, a caridade que, às vezes, não se tem como escapar. Na parede descascada, apoiados num suporte que as lojas de departamento não vendem mais, uma pequena tevê e um aparelho de DVD estão a funcionar. Cássia Eller, nervosa acusticamente, acaba de cantar “Por enquanto”, de Renato Russo. As estações mudam, mas não o dilema:
— É duro quando o pra sempre acaba.
— Mas ele sempre acaba, não?
— É... Sempre...
— Eterno é quando não dura.
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