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Pílulas: A descoberta do mundo, de Clarice Lispector

Clarice Lispector (foto: Divulgação – interferida por Mirdad)


Parte I
Leia aqui
"O inalcançável é sempre azul"

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Parte II
Leia aqui
"Tudo o que dá certo é normal. O estranho é a luta que se é obrigado a travar para obter o que simplesmente seria o normal"

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Parte III
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"Se você se sente infeliz agora, tome alguma previdência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe"

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Parte IV
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"O que chamo de morte me atrai tanto que só posso chamar de valoroso o modo como, por solidariedade com os outros, eu ainda me agarro ao que chamo de vida"

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Parte V
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"O sentimento mais rápido, que chega a ser apenas um fulgor, é o instante em que um homem e uma mulher sentem um no outro a promessa de um grande amor"

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Parte VI
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"Desculpem, mas se morre"

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A descoberta do mundo (Rocco, 2008)
Clarice Lispector

Release extraído do site da Rocco, editora do livro:

Uma Clarice Lispector “um pouco sem jeito” apresentava-se a seus leitores, em setembro de 1967, cerca de vinte dias após estrear como colunista do Jornal do Brasil. Esclarecia seu desconforto em escrever por encomenda, algo que fizera, na imprensa, anonimamente. “Assinando, porém, fico automaticamente mais pessoal. E sinto-me um pouco como se estivesse vendendo minha alma.” Ao longo dos seis anos seguintes, a escritora aproveitou aquele espaço das formas mais variadas: ela discutiu acontecimentos recentes, filosofou sobre a existência, tratou de acontecimentos cotidianos, falou de sua família e de suas angústias, e até antecipou trechos de seus romances inéditos. Esse vasto material foi reunido na coletânea de crônicas A descoberta do mundo, em 1984, e ganha agora, 25 anos depois, uma nova edição, que marca o início do relançamento das obras completas de Clarice Lispector em novo projeto gráfico, numa justa homenagem da Rocco à autora de A hora da estrela, que acaba de completar dez anos na casa.

Os textos revelam elementos da escritora reflexiva que tanto se preocupou com a essência da alma humana. As crônicas também mostram como ela se preocupava com o leitor, recusava a fama de hermética e desejava uma troca profunda com ele. Em vários trechos do livro, ela responde às cartas dos leitores, desfaz mal-entendidos, explica o que porventura não tivesse ficado claro em textos anteriores e até pede desculpas por ter escrito algo que tenha dado margem a interpretações erradas. Ao ganhar um prêmio por seu livro infantil O mistério do coelho pensante, ela se admira que consiga ser compreendida por crianças, mas que seja considerada “difícil” quando escreve para adultos.

A coluna não aponta para um caminho em linha reta. Numa semana, ela é claramente confessional e, na outra, comenta a própria obra. Apenas episodicamente a autora faz crônicas tradicionais, daquelas que tratam dos temas da atualidade. Como em suas obras literárias, Clarice Lispector a ocupou ora com contos ou pequenas novelas, ora com observações diversas sobre a vida ou relatos de episódios do dia a dia. Personagens de seu cotidiano mostram a riqueza de vidas totalmente diferentes da sua em crônicas como a que conta sobre um motorista de táxi sedutor ou a empregada que vai enlouquecendo a ponto de ser internada em um hospital psiquiátrico. As conversas com amigos ilustres, como Chico Buarque, que acaba de fazer sucesso com “A banda” é entremeada pela alegria dos filhos, meninos ainda, encantados com a mãe que conhece um astro em ascensão.

Mesmo resistente a relatos autobiográficos, Clarice Lispector deixa escapar fatos mundanos e muito pessoais em suas crônicas. Da descoberta do amor ao seu comportamento impulsivo, do ato de escrever à saudade, a autora se deixava entrever em suas histórias para o jornal. A maternidade, por exemplo, é tema constante nas crônicas. As recordações de infância e adolescência são afetuosas e calorosas, incluindo repetidas declarações de amor à literatura e às primeiras leituras de Monteiro Lobato, em menina.

A qualidade literária perpassa todas as histórias, das frases sucintas aos relatos mais detalhados sobre jantares e encontros, além de impressões sobre alguns personagens que atravessam toda a sua obra, inclusive a literária, como videntes, cartomantes, empregadas domésticas, crianças e velhos. Através de suas crônicas, Clarice Lispector pôde estabelecer um elo freqüente e sincero com seus leitores, apresentando sua obra para aqueles que ainda não a conheciam, ampliando o alcance de sua trajetória, semeando uma popularidade que, desde então, não parou de crescer.

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