Pular para o conteúdo principal

Produções de Emmanuel Mirdad: Ano 2006


De acordo com o planejamento de carreira da The Orange Poem, 2006 era o ano do êxodo para a Europa, mais precisamente para Londres, a batalhar pelo som psicodélico laranja. O giramundo gargalhou da projeção audaciosa e eu passei, praticamente, o ano todo no Rio Vermelho, no estúdio Casa das Máquinas do amigo Tadeu Mascarenhas, gravando o 2º CD da The Orange Poem e o CD poema Ilusionador, com a obra do meu pai Ildegardo Rosa. Um ano dedicado à produção musical (e executiva) de álbum — deixei de ser produtor do World Bar e agente de shows de bandas alternativas, o trabalho que fiz nos últimos dois anos.



Gravação do CD Sleep in Snow Shape
The Orange Poem

Mal havia gravado e lançado o primeiro CD da minha banda, e já financiei outra gravação. 2006 era o ano que planejara ir morar na Europa, tentar carreira com a The Orange Poem por lá, mas estava descontente com o álbum Shining Life, Confuse World; achava-o fraco, e queria seguir para fora do Brasil com um disco mais apresentável.

Pois a gravação do segundo CD, Sleep in Snow Shape, se arrastou por todo o ano, terminando só em outubro, mais uma vez no estúdio Casa das Máquinas, de Tadeu Mascarenhas. Eu trabalhei como produtor musical e executivo, bancando o processo sozinho, com minhas economias e auxílios familiares.

Avaliei que o novo álbum era mais importante que o anterior, extraindo o melhor da banda e da minha produção, focando na sonoridade psicodélica. Porém, não foi prensado. Reviravolta: eu desisti de morar na Europa para viver um grande amor em Salvador. Em março do ano seguinte, The Orange Poem acabou e Sleep in Snow Shape foi engavetado.

Patrocinador – Meu bolso

Funções – Produtor musical | Produtor executivo

-----


Gravação do CD poema Ilusionador

Eu me formei jornalista na Facom/Ufba com um projeto de comunicação: “Proposta de ambientação sonora para poemas em formato CD”. Todo o foco do segundo semestre de 2006 foi para a realização do TCC. Criei a proposta e parti para a execução mais uma vez no estúdio Casa das Máquinas, de Tadeu Mascarenhas — as principais gravações, porque eu também gravei na Facom e em casa.

O objeto do CD poema Ilusionador foi um recorte de poemas da obra engavetada do meu saudoso pai, Ildegardo Rosa (1931-2011) — foto maior acima. Nas outras fotos (retiradas da internet), alguns dos amigos participantes da gravação, como Tadeu Mascarenhas, Glauber Guimarães, Renato Cordeiro, Raiça Bomfim, Marceleza de Castilho e Thiago Kalu, bem como extrações de áudio de bandas como Radiohead, Mahavishnu Orchestra, Dave Brubeck Quartet e Led Zeppelin, e de filmes como Matrix e Mar Aberto.

Patrocinador – Meu bolso

Funções – Criação e concepção da proposta | Pesquisa e seleção dos poemas | Direção artística | Produtor musical | Produtor executivo | Criação dos samplers e ruídos | Assistente de gravação | Elaboração do TCC

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Dez passagens de Clarice Lispector nas cartas dos anos 1950 (parte 1)

Clarice Lispector (foto daqui ) “O outono aqui está muito bonito e o frio já está chegando. Parei uns tempos de trabalhar no livro [‘A maçã no escuro’] mas um dia desses recomeçarei. Tenho a impressão penosa de que me repito em cada livro com a obstinação de quem bate na mesma porta que não quer se abrir. Aliás minha impressão é mais geral ainda: tenho a impressão de que falo muito e que digo sempre as mesmas coisas, com o que eu devo chatear muito os ouvintes que por gentileza e carinho aguentam...” “Alô Fernando [Sabino], estou escrevendo pra você mas também não tenho nada o que dizer. Acho que é assim que pouco a pouco os velhos honestos terminam por não dizer nada. Mas o engraçado é que não tendo absolutamente nada o que dizer, dá uma vontade enorme de dizer. O quê? (...) E assim é que, por não ter absolutamente nada o que dizer, até livro já escrevi, e você também. Até que a dignidade do silêncio venha, o que é frase muito bonitinha e me emociona civicamente.”  “(...) O dinhei...

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...