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A jornada para escrever o romance oroboro baobá — Parte V (2017)


oroboro baobá” é o meu primeiro romance. Escrevê-lo foi um laboratório, um curso, um aprendizado. No post de hoje, a 5ª parte da jornada de criação do “oroboro baobá”, com o relato do que aconteceu em 2017: finalista de dois prêmios nacionais [Sesc e Cepe] com duas versões distintas; presentes de Tom Correia, Wesley Correia, Mônica Menezes, Gabriela Leite, Eli Campos e Susan Kalik; o curso Usina do Drama e a sina de adaptar o romance para o audiovisual; modifico quem é Montanha [definitivo]; começo a entender a conexão de Miwa com Mbamba; modifico o nome de Mudinho para Gigante [sugestão de Wesley Correia]; opção de Conceição Evaristo para a epígrafe e a escolha final: Pepetela; opções para a capa [fotos de Fabrizio Ferri e Inti Gajardo, ilustra de Willian Santiago]; duas versões de “oroboro baobá”; uma mudança de título, uma restrição e um registro na Biblioteca Nacional; romance “Miwa” pronto; e muito mais.

Creditado como Emmanuel Rosa numa legenda de TV [curador da FliCaixa]

EMMANUEL ROSA

2017 começa assim: adiós, Mirdad! O ponto de virada é não ter mais expectativa que a carreira artística dê certo. Primeiro, o fracasso na música. Agora, o fracasso na literatura [fracasso = o resultado não foi o que eu esperava]. Então, sacode a poeira e segue. Entretanto, como havia finalizado o romance “Miwa — A nascente e a foz” numa trabalheira da peste, me recuso a descartá-lo e o torno a última tentativa. Pela obra, não por mim, vou continuar na produção da minha arte: o romance precisa existir. Assinado, agora, como Emmanuel Rosa.

A diretora e roteirista Gabriela Leite. Foto: Stella Carvalho

PRESENTE DE GABRIELA LEITE

Segunda, 02 de janeiro de 2017, noite. Eu, no apê 703-B. Ela, na França via Skype. Na pauta, o nosso projeto de transformar “Miwa — A nascente e a foz” numa série audiovisual. Só que, antes, a diretora e roteirista Gabriela Leite oferece o seu presente ao romance: expõe as suas impressões da leitura, elogiando o livro [ela gostou, ufa!] e sugerindo algumas mudanças [que merda que não registrei quais foram; lembro que Gabriela se incomodou com o trecho da morte de Marcelino no iate].

Na noite da terça 03/01/17, outra reunião via Skype, em que eu e Gabriela terminamos de debater sobre o romance [e analisamos o edital do Prodav 05]. Na manhã da quarta 04/01/17, retomo a produção literária de “Miwa — A nascente e a foz” e escrevo no original as mudanças apontadas por Gabriela Leite.

PS: Nos reunimos de novo na noite da quinta 05/01/17, em que discutimos por onde começar o projeto da adaptação. Depois daí, Gabriela some, me deixando frustrado [de volta à sina do audiovisual].

Na foto, a ilha Pitcairn [a principal do país Pitcairn Islands]. No texto, “ἱεροφάντης”, a palavra “hierofante” em grego [foi o 1º post de 2017 no Facebook]

O HIEROFANTE DA ILHA PITCAIRN

Sobre o romance ambientado nas Ilhas Pitcairn que me programo fazer, assim como em dez/16, a sincronia me apronta mais uma: sábado, 07 de janeiro de 2017, estou na função de concluir a biografia “Os Románov”, de Simon Sebag Montefiore [termino em 09/01/17], e, à tarde, pg 632, leio o trecho “[...] quando o filho de Militsa caiu doente, ela consultou um francês, Nizier Anthelme Philippe, um jovem camponês que, trabalhando no açougue do tio em Lyon, passara por uma epifania e se estabelecera como hierofante, especializando-se no poder de ‘fluidos psíquicos e forças astrais’ no tratamento de enfermidades e na cura de esterilidade feminina”.

Bingo! “Hierofante”, que palavra massa! Nunca li/ouvi antes. Quero! Encontro o seu significado em dicionários online: “um intérprete de mistérios sagrados ou conhecimento misterioso”, “indivíduo que se diz conhecedor do que é mais transcendente, em qualquer ramo” e “uma pessoa que confiantemente exponha, explique ou promova algo misterioso ou obscuro como se fosse designado para fazê-lo”.

Yeba! Compreendo a mensagem do astral e decido incluí-la no título: “O hierofante da ilha Pitcairn” [a ilha no singular e em caixa baixa porque se refere à principal das Ilhas Pitcairn — formadas por quatro ao todo —, a única habitada]. Digo incluí-la, porque já havia decido que o título traria a referência insular [ilha] e o nome do país mais remoto do mundo [Pitcairn], facilitando ser encontrado por alguém que se interessasse em obras sobre ele [como eu, hehe].

Garimpo o título do próximo romance nesse trecho da biografia “Os Románov” (Companhia das Letras, 2016), de Simon Sebag Montefiore, pg 632

Aproveito o tópico para dizer logo o que faço por esse projeto em 2017. Primeiro, defino a premissa “filosófica” do romance: é bom onde não estamos. Diferente de “oroboro baobá”, não é minha.

Em 2015, leio o conto “Uma crise”, do mestre russo Anton Tchekhov, e me encanto com um diálogo [pg 94 do espetacular “O beijo e outras histórias”, lançado pela Editora 34 em 2014], em que o personagem Vassíliev pergunta de onde a senhora vem, ela responde, ele comenta que é uma boa terra, e ela arrebenta: “É bom onde não estamos”. Uau! O tradutor Boris Schnaiderman abre uma nota para explicar que é um provérbio russo. Uau! [2]. Esses russos... Arquivo o provérbio como título para um futuro romance [cujo argumento é fraco].

Garimpo a premissa “filosófica” do próximo romance nesse trecho de “O beijo e outras histórias” (Editora 34, 2014), de Anton Tchekhov, pg 94

Ao analisar o argumento do romance em Pitcairn, iniciado em dez/16, percebo que se trata de uma história “a grama do vizinho é mais verde”, sobre essa esperança humana de que existe um lugar, além de onde se mora, em que a felicidade poderá ser vivenciada, os sonhos, a mudança, a cura, etc. Ou seja, “é bom onde não estamos”. Vou lá no arquivo [nomeado de “sugestões de romances a serem escritos”] e resgato o provérbio, para torná-lo a premissa “filosófica” de “O hierofante da ilha Pitcairn”.

Cato na internet o original do conto em russo [Припадок], publicado em 1889, e encontro o provérbio como Tchekhov escreveu: “Там хорошо, где нас нет” [daqui].


Trabalho no argumento e defino os seis personagens principais [três pitcairneses e três de fora da ilha] e dois coadjuvantes. Quero que seja um catatau; penso em escrever para mais de quinhentas páginas. E, dos livros gringos encomendados, chegam quase todos via Correios, exceto um, que foi extraviado [deixo para lá, não reclamo].

Na tarde da sexta 16/06/17, influenciado pela leitura de “Mar de glória — Viagem americana de descobrimento”, de Nathaniel Philbrick, realizo uma pesquisa de referências literárias sobre o Pacífico Sul [anoto muitas obras, faço download e arquivo várias, a coletar mais trabalhos para a bibliografia que lerei para poder escrever “O hierofante da ilha Pitcairn”]. Repito o processo na noite da terça 20/06/17 e, assim como passara o Natal “em Pitcairn” em 2016, passo o dia de São João [24/06/17] “no Pacífico Sul”, devorando a bibliografia do livro de Nathaniel Philbrick [concluo esse garimpo na segunda 26/06/17].

O escritor escocês Robert Louis Stevenson [sentado, ao centro] na sua casa em Vailima [em Apia, capital de Samoa], 1892, junto com a sua mulher Fanny, enteados e amigos, onde viveu por quatro anos até falecer em 1894 [foto daqui]

Em dois dias [03 e 24/07/17], continuo com a pesquisa e baixo livros [em inglês] do norte-americano Herman Melville. Por fim, na terça 15/08/17, pesquiso sobre a vida e obra do escocês Robert Louis Stevenson [faço um post no Facebook], e baixo os seus livros [em inglês]. Então, considero que já tenho material suficiente para embasar a feitura de “O hierofante da ilha Pitcairn”, agora é só aguardar o momento de escrevê-lo.

Arquivos da pesquisa para o romance “O hierofante da ilha Pitcairn”

Lista com 29 livros de não-ficção que tenho interesse de ler para escrever o romance “O hierofante da ilha Pitcairn”

PS: Em 2020, o projeto do romance continua na gaveta.

O escritor, professor e crítico Wesley Correia. Foto: Peterson Azevedo

PRESENTE DE WESLEY CORREIA

Domingo, 08 de janeiro de 2017, noite. Vou até o prédio que fica na rua Cícero Simões, na Pituba. Presencialmente, na sala do seu apê, o amigo e escritor Wesley Correia [autor do livro de poemas “Deus é negro”] oferece o seu presente ao romance: começa a relatar as detalhadas impressões da leitura que fez, com várias sugestões. Como são 11 páginas de anotações [uau, que incrível!], não dá tempo para analisar tudo [três horas de conversa hoje]. Debato com Wesley a sua dedicada e minuciosa leitura, o que acaba sendo uma revisão também. Yeba! Que oportunidade!


O principal ponto que me toca é: para Wesley, a narrativa fragmentada não funciona. Confunde demais. São muitos personagens. Vai e vem que atrapalha a leitura. Eita! Kuéin! Pela 1ª vez, alguém se incomoda com isso. Confesso que vou dormir com a cabeça quente, pensando em refazer a estrutura de “Miwa — A nascente e a foz” [será que vai dar tempo para concorrer ao Prêmio Sesc de Literatura?].


Na quinta, 12 de janeiro de 2017, à tarde, no apê da rua Cícero Simões, nova rodada do presente de Wesley Correia, a ouvir as suas opiniões qualificadas de leitor & professor [além de escritor e crítico] sobre o romance. Dessa vez, quatro horas de papo e terminamos essa revisão. Chega a mão coça para retomar o trabalho a tempo do prêmio [vou acatar várias sugestões do amigo].


Valeu demais, meu caro Wesley Correia!

A poeta e professora Mônica Menezes. Foto: Sarah Fernandes

PRESENTE DE MÔNICA MENEZES

Segunda, 09 de janeiro de 2017, noite. No apê do Edf. Silverstone, na Pituba, a poeta e professora Mônica Menezes oferece o seu presente ao romance: comenta as suas impressões e aponta erros a serem corrigidos [putz, mais uma vez, não tenho o registro dessas contribuições].

Aproveito para expor as minhas angústias sobre a narrativa fragmentada, que não funcionou para Wesley Correia, e estou pensando em mudar. Mônica Menezes diz que a sua impressão é diferente e que tá tudo bem com a opção não-linear do romance. Mesmo assim, afirmo que irei modificar a estrutura, para não correr o risco de assustar os jurados do Prêmio Sesc de Literatura 2017 ou perder leitores que têm o hábito de uma leitura apressada.

Na manhã da quinta 12/01/17, reabro o arquivo com o original do romance e passo a limpo as sugestões e acertos propostos pela amiga Mônica Menezes [uma curiosidade: foi ela que me apresentou a literatura de Conceição Evaristo].

Epígrafe de Conceição Evaristo garimpada para o meu romance

EPÍGRAFE [7ª ESCOLHA]

Quinta, 12 de janeiro de 2017, manhã. No apê 703-B, influenciado pelas sugestões do amigo Wesley Correia, corto as epígrafes de Eckhart Tolle, Adélia Prado e Daniel Lima do romance, e mantenho a de Lívia Natália. E quero outra!

Procuro no premiado livro “Olhos d’água”, e escolho uma passagem de Conceição Evaristo, presente no conto que abre e dá título ao livro, pg 18 [na Flica 2016, ela foi aplaudida de pé, após ler a íntegra desse conto, pelo auditório lotado], para compor as epígrafes de “Miwa — A nascente e a foz”.

PS: Em 2017, reciclo a epígrafe de Daniel Lima no meu livro “Quem se habilita a colorir o vazio?”. Já as de Eckhart Tolle e Adélia Prado, adiós.


Ainda na manhã da quinta 12/01/17, a seguir a sugestão de Wesley, retiro das dedicatórias a homenagem a Nelson Mandela e à memória de André Setaro e Hélio Pólvora.

PS: Na sexta-feira 13 de jan/17, apenas uma horinha de trabalho no romance, para atualizar a contabilidade [o dia foi dedicado a confirmar a intenção conjunta da Cali e Icontent para realizar a Flica 2017 em Cachoeira, e a criação do novo projeto de festival literário das Américas — em parceria com a Design; na quarta 11/01/17, acertei com Marcus Ferreira uma nova sociedade, para realizar os festivais literários junto com a empresa de CH Schroeder e João Chiodini].

A nova página de dedicatórias do romance “Miwa — A nascente e a foz”, incluindo uma homenagem ao amigo Wesley Correia

TESOURA-WESLEY

Sábado, 14 de janeiro de 2017, tarde. No apê 703-B, começo a escrever no original as mudanças apontadas pela leitura do amigo e escritor Wesley Correia. Dentre as mais de dez páginas de observações, acato um monte de sugestão: retiro o itálico dos erros ortográficos nas falas, troco a descrição da tonalidade da pele de Miwa/Mudinho, Mkini e Mutujikaka para “bem preta”, volto com o travessão para os diálogos/falas [concordo que o modelo norte-americano de aspas é confuso: atrapalha pensamento com fala], etc.

Wesley reclama do cap. 1, do trecho ensaístico “Bahia pai canalha”, e eu decido retirá-lo em vez de editá-lo [não jogo fora, engaveto; gosto do ensaio, só ainda não sei como encaixá-lo na obra]. O autor de “Deus é negro” fica na bronca com as notas de rodapé: “A informação deve ser buscada por quem se interessar, não deve ser ofertada assim [...] Evitar notas de rodapé [...] em livro de ficção é estranho”. Poxa, eu adoro... Bem, vou retirar algumas.

Manhã do domingo 15/01/17, apê 703-B, após assistir ao fodástico episódio da série Better Call Saul [T1E6 Five-O” ou “Passado”, sobre o personagem Mike Ehrmantraut; faço até post no Facebook], descarto do romance [para limar o excesso de notas] as referências à modelo senegalesa Khoudia Diop [cap. 8], ao oktavist russo Vladimir Pasyukov [cap. 10], ao clima Fellini-Smetakiano [cap. 12] e ao estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas [cap. 21], e as notas com a fala de Nelson Mandela sobre a Table Mountain [cap. 21] e sobre o totó [cap. 23], a cobra Oxyuranus microlepidotus [cap. 24] e a tradução de Madagasikara [cap. 29]. Corto também a ex-epígrafe de Tabajara Ruas, que estava citada no texto [cap. 20], e a epígrafe do cap. 25, com o lema da bandeira de Porto Seguro [Jam ante brasiliam ego ou “Antes do Brasil, eu”].

O amigo Wesley Correia inspirou várias mudanças. Foto: Peterson Azevedo

O que mantenho: as notas sobre o Massacre de Porongos, os países da África Austral, a explicação sobre o nome Miwa [Alpha Blondy e Monique Séka] e a pronúncia do nome Misara; as referências ao violoncelista Rostropovich e à Passarela Ecológica do Gigica [ainda escrita com erro: “Passagem Ecológica...”] continuam, mas descarto as notas. Abro duas novas [na real, transporto do corpo do texto para a forma de nota]: sobre a Table Moutain e o golpe de estado de Getúlio Vargas.

Wesley se incomoda com as descrições dos lugares, a geografia no romance, e um “excesso de explicação sobre o baobá [didatismo, cientificismo]”. Poxa. Sinto muito, amigo, mas isso fica. É amô demais por eles. E já é meio-dia do domingão 15/01/17. Termino de escrever no original as mudanças apontadas por Wesley Correia. Decido homenagear o escritor & professor nas dedicatórias, inserindo o seu nome junto ao da minha mãe, minha irmã e Sarah Fernandes, e à memória do meu pai.

Pedra de Ladainha em Minas Gerais via projeto Nascentes do Mucuri [o post da página não credita se a foto é de Ricardo Teles ou de Humberto Bassanelli]

ROMANCE EM TRÊS PARTES

Bom, narrativa fragmentada já era, vou facilitar ainda mais para o leitor [leia-se: não correr risco com o júri do Prêmio Sesc de Literatura]. Na tarde do domingo 15/01/17, apê 703-B, decido por voltar a estruturar o romance em partes [outra rodada de “Capítulos Corridos x Partes”]. Mangaba para quem lê: “A nascente”, focada em Miwa; “A foz”, focada em Mudinho/Montanha; e “A nascente e a foz”, com a resolução do mistério “quem é Montanha?” e o que aconteceu com Miwa. Tudo no esquema linear, café com leite.

O baobá Renala na Allée des Baobabs. Foto: Louise Jasper [daqui]

O RITUAL NA ABERTURA

Domingo, 15 de janeiro de 2017, tarde. No apê 703-B, continuo o trabalho no romance. Bem, mandei para a gaveta a abertura ensaística. E agora? A parte “A nascente” começa com a história de Mbamba, para chegar às suas três descendentes [Dona Tonica, Benivalda e Bartira], e desembocar em Miwa. Tudo certo, vamo nessa? Nada! Penso: a escravização de Mbamba é um capítulo duro; tem certeza que vai facilitar as coisas com uma pedrada logo de cara?

Bocapiu, preciso de uma solução. Não dá para utilizar algum trecho com futebol, por conta da linearidade. Vixe! “E agora?”, again. Bingo! Vou estarrar mermo: “Miwa — A nascente e a foz” vai começar botando as cartas do fantástico na mesa. Desloco o “Ritual em Madagascar” do cap. 29 para o cap. 1 — A nascente. Armaria! Que risco! Afinal, quem gosta de fantasia vai se frustrar porque o mágico é apenas um componente do livro; e quem não gosta, vai abandonar porque só quer saber de realidade. Ô filhote de cruz-credo! Vai ficar desse jeito pelo motivo de que esse capítulo tem muito o meu apreço.

Allée des Baobabs em Madagascar. Foto: Louise Jasper

Uma hora e meia depois, a nova ordem dos capítulos do romance tá tinindo no meu rascunho. Anoitece, e eu termino de botá-la no original. Ô sorte, tenho que arriscar. Me joguei, mizifio. Daí, pausa de um dia para trabalhar na montagem da programação da 1ª edição da FliCaixa [vulgo curadoria], e caio para dentro de rever o ex-cap. 29 na terça 17/01/17, apê 703-B: tenho que antecipar todas as primeiras descrições das entidades, deslocando para o 1 — A nascente [o que faço com a de Mensawaggo no cap. 21 e a de Mopmadogara no cap. 19].

Desloco a descrição de Mambezi no cap. 24 e as de Makonga e Mokamassoulé no cap. 19 para o 1 — A nascente na manhã da quarta 18/01/17, apê 703-B. Revejo esse Frankenstein e aprovo o resultado. Algumas novidades: insiro uma divisória para separar o trecho em que detalho o baobá Renala [e insiro parágrafos para melhorar a leitura]; insiro uma motorista além da turista, e é essa que se torna Mensawaggo [a turista se torna Mopmadogara na outra dimensão]; insiro outra divisória para separar o trecho em que Misara está no lado oculto da Allée des Baobabs; invento a saudação “Yeba!” para Mokamassoulé.


REVISÃO EDITORIAL [3ª VEZ]

A 1ª vez em jun/15, a 2ª em out/16. Agora, no ápice do verão/2017, começo a 3ª revisão editorial do romance [aprendi com o escritor Mayrant Gallo], de um jeito diferente: devido ao prazo curto para inscrição no Prêmio Sesc de Literatura, tô no corre e embolo o “rever” com o “revisar edit.”, tudo ao mesmo tempo [agora], todo santo dia, sempre no apê 703-B. Ispia:

Quarta, 18/01/17 [03h e 10min | tarde & noite] — Reviso edit. e escrevo no original as mudanças no cap. 1 — A nascente [ritual]. Revejo o cap. 9 [escravização de Mbamba e transporte até o Brasil] e o transformo no 2 — A nascente. A seguir as dicas de Wesley Correia, passo a inserir os anos no texto para situar melhor o leitor dos vários tempos do romance [a tesoura-Wesley corta: “‘um de raiva delira, outro enlouquece,/ outro, que martírios embrutece,/ cantando, geme e ri!’ — pouco mais de cem anos depois, o poeta Castro Alves tentará, mas as palavras nunca serão suficientes para retratar a tragédia horrenda da travessia dos tumbeiros”].

Avalio que é melhor juntar tudo de Mbamba num capítulo só: revejo três parágrafos do cap. 13 [ele compra alforria, prospera como José, casa, forma família e morre velho] e os transformo na 2ª parte do 2 — A nascente. Algumas novidades, além da marcação do tempo: José é apresentado a Conça, e ela é oito anos mais nova, parindo até para mais de quarenta anos [dou uma arrumada na estrutura também].


Revejo o restante [o maior trecho] do cap. 13 [sobre Dona Tonica] e o transformo no 3 — A nascente [estrutura e marcação, como irei fazer em todos, e a tesoura-Wesley a cortar um travessão sobre “que a encanta, à primeira vista”: “pois quando não se tem nada, há de se querer, e quando o olhar brilha, entende-se que, ao criar asas, graças ao chamado, deve-se voar, dar-se por si, perder-se, bem como o poeta e compositor paraibano Chico César traduz, na sua bela canção”]. À noite, meia-horinha para revisar editorialmente esses capítulos.


Quinta, 19/01/17 [05h e 50min | da manhã à noite] — Escrevo no original as mudanças nos cap. 2 e 3 — A nascente. Revejo o maior trecho do cap. 16 [a saga dos ancestrais de Bartira] e o transformo no 4 — A nascente [marcação do tempo, melhora na estrutura e outros], a escrever o xodó “A inteligência o surpreende, a beleza o seduz e a força dessa mulher o inspira”.


Revejo o restante do cap. 16 [sobre Benivalda e o nascimento de Bartira] e o transformo no 5 — A nascente [mudo “senhora Florência” para Sá Florência].


Antes do almoço, arrumo meia hora para rever o cap. 19 [Bartira em Mucuri, sonha com as entidades e encontra Miwa no mangue + batismo dela, fase criança e ida à Nanuque] e o transformo no 6 — A nascente [datas, estrutura — mais parágrafos, menos trechos longos — e ajustes nas partes das entidades, já que a estreia delas foi remanejada para a abertura do romance].


À tarde, após reunião com Marcus e a Design [a projetar o festival literário das Américas], reviso edit. os cap. 4, 5 e 6 [parte “A nascente”] e escrevo no original as mudanças. À noite, na pilha do prazo [incomum trabalhar nesse horário], na função da tesoura-Wesley, reviso edit. todos os trechos com futebol no romance [sete capítulos], a cortar os excessos [haja edição!].

Sexta, 20/01/17 [06h e 20min | da manhã à noite] — Depois de trampar como curador da FliCaixa, dedico a manhã a escrever no original as mudanças nos trechos com futebol [realmente tava excessivo!]. À tarde, mais FliCaixa, e depois reviso os trechos sobre Nanuque e Mucuri. Revejo o cap. 3 [ida de Miwa à casa de Edir] e o transformo no 7 — A nascente. Revejo as 1ª e 2ª partes do cap. 6 [foto Miwa em Bom Jesus da Lapa e fuga com o fotógrafo] e as transformo no 8 — A nascente.

Daí, resolvo um buraco na estrutura do romance, juntando todos os trechos da violência contra Miwa [3ª parte do cap. 6 e o cap. 21 — e mais a carona, o encontro com Mensawaggo e o reencontro com Dona Tonica] no 9 — A nascente. Sobre o buraco: na versão de out/16, a sequência do cap. 6 é o 21, uma doideira, ainda mais que a protagonista que dá nome ao romance só reaparece no 19, como bebê [levando em conta que os leitores ainda não sabem que ela é Mudinho/Montanha].


Revejo o cap. 24 [sonho com Mambezi e nascimento de Mbira] e o transformo no 10 — A nascente. Revejo o cap. 26 [a vida em Mucuri com Mbira e Miwa desaparecida, acidente de Dona Tonica, rapto de Mbira + orfanato] e o transformo no 11 — A nascente [não forço mais a barra, e retiro Marcelino como um culpado indireto pela morte de Dona Tonica e o rapto de Mbira, trocando o trecho por “contratado como mula por um traficante da região”].


Pesquiso e troco palavras repetidas, modifico a ordem de um capítulo. Depois do jantar, a maratona continua: reviso edit. os cap. 7 e 8 + a 1ª parte do 9 [todos da parte “A nascente”].

Sábado, 21/01/17 [04h | manhã & tarde] — Acordo cedinho e às seis e pouco já tô na função: reviso edit. os cap. 10 e 11 + as outras partes do 9 [todos da parte “A nascente”]. Uma pausa para comer “bananas + cuscuz + laranja”, o combo sagrado de toda manhã, e retomo: pesquiso e troco palavras repetidas, escrevo no original as mudanças nos cap. de 7 a 11 — e concluo, por enquanto, a parte “A nascente”.

Depois do almoço, começo a trabalhar na 2ª parte do romance, a rever vários capítulos [apliquei a tesoura-Wesley dias atrás] e transformar: o cap. 2 [em Caraíva, pesca e Burianã encontra Mudinho] em 1 — A foz; o cap. 4 [racismo, padaria e forró] em 2 — A foz; o cap. 5 [sobre Mudinho + o dominó] em 3 — A foz; o cap. 7 [sobre Marcelino + obra no hotel] em 4 — A foz; o cap. 8 [sobre Burianã e Aldeia Mãe Barra Velha + baba na aldeia] em 5 — A foz [relembrando que a tesoura-Wesley cortou a menção ao goleiro Lev Yashin].

Quadro “caraiva-rio” (2017), de Diego Castelló [daqui]

Tô embalado e continuo na função de rever e transformar: as 1ª, 2ª e 3ª partes do cap. 10 [ameaça de Marcelino, queima do barco, saída de Mudinho de Caraíva] em 6 — A foz; as partes restantes do cap. 10 [Seleção de Porto Seguro, treino de Mudinho, preleção com treta, 1º jogo como reserva] em 7 — A foz [retiro a referência ao treinador Mickey Goldmill]; o cap. 11 [programa de Bip-bip] em 8 — A foz.

Pensa que acabou? Nada! Tarde produtiva do sabadão 21/01/17, a rever e transformar: o cap. 12 [Mudinho observa o sarau + pensão] em 9 — A foz [corto o parágrafo com a reciclagem dos textos “A libélula e o urso”]; o cap. 14 [ameaça a Xandão, acordar de Mudinho, batismo de Montanha] em 10 — A foz; e o cap. 15 [estreia de Montanha no Amadô, prefeito no vestiário] em 11 — A foz. Por fim, revejo o cap. 18 [vestiário a celebrar Montanha, sobre Sanfilippo, programa de Bip-bip com Marcelino, goleada contra Santaluz, Sanfilippo em Caraíva], apago a sua 1ª parte [trecho sobre o 20 de novembro e conversa de Xandão com Oliveira sobre Montanha] e transformo o restante em 12 — A foz.

A dentista e professora Eli Campos. Foto: Graziela Gal Fernandes

PRESENTE DE ELI CAMPOS

Desde nov/14 que troquei a academia pela natação. E a minha saúde nunca esteve tão boa! Sou apaixonado por nadar! Aumentei a frequência para quatro dias, e tento o recorde de 10 mil metros por semana, 40 mil por mês. Tenho sorte com os colegas & professores do clube Asbac: um clima ótimo, engraçado, muita resenha. Mais ainda: ganho de presente a amizade de uma pessoa muito querida: a dentista Eli Campos, reconhecida professora e pesquisadora da Ufba.

Apreciadora de literatura, Eli comprou e leu dois dos meus livros de contos. Sempre havia espaço nas nossas conversas [mesmo com a diferença das turmas: ela, 6h; eu, 7h] para as artes e, em especial, a literatura. Pois na manhã da terça, 17 de janeiro de 2017, lá no Asbac, deixo o original do meu romance para ela avaliar [curioso para saber a opinião de uma leitora que não é escritora nem especialista da área].

Vista aérea do clube Asbac na Pituba, em Salvador, Bahia [foto daqui]

A surpresa: ela devora “Miwa — A nascente e a foz”. Sexta, 20 de janeiro de 2017, manhã no Asbac, a dentista e professora Eli Campos oferece o seu presente ao romance: devolve o original com as suas impressões anotadas, conserto de erros e sugestões [como iria descartar essa versão de out/16, deixei que ela anotasse no original]. Elogia a qualidade do texto e reconhece a evolução do meu trabalho. Yeba! Feliz!

Na tarde do sábado 21/01/17, apê 703-B, escrevo no original as mudanças apontadas pela leitura de Eli Campos [foda que o burro aqui descartou o dito cujo e não arquivou as sugestões dela, dãããã!].

300 dias trabalhando no romance

300º DIA OROBORO

Domingo, 22 de janeiro de 2017. Ou 300º dia de trabalho em “oroboro baobá” [pela contagem errada da época, celebrei o marco em 26/06/17, com direito a post no Facebook, com a imagem acima]. Embalado, no apê 703-B, trabalho da manhã à noite [com pausas para assistir à série “Better Call Saul” e almoçar com mãe no Shopping Bela Vista, onde compro papel e cartucho para imprimir o novo original em breve].

O negócio é rever e transformar [melhorar a estrutura “mais parágrafos, menos trechos longos”, cortar excessos, etc.]: o cap. 17 [sobre Gonçalo Fernandes, Trancoso e Dom Brito + golfe] em 13 — A foz; o cap. 20 [partida, invasão, prisão & treta em Santaluz] em 14 — A foz; o cap. 22 [Montanha joga fora a foto de Miwa e Bip-bip a rouba + partida em Bom Jesus da Lapa] em 15 — A foz; o cap. 23 [treta no iate, morte e funeral de Marcelino + roubo da foto por Sanfilippo + acertos Juvêncio com Montanha e o prefeito] em 16 — A foz [relembrando que a tesoura-Wesley cortou a citação no texto à Adélia Prado; desloco o trecho “Totó” para o cap. 18 — A foz, no lugar de “Marte”]; o cap. 25 [finalíssima do Amadô] em 17 — A foz; e o cap. 27 [Dom Brito na pensão + morte de Sanfilippo] em 18 — A foz.

Depois do almoço, de volta ao apê 703-B, faço a revisão edit. dos cap. 1 a 4 da parte “A foz” e escrevo no original as mudanças [também revejo o cap. 5 — A foz]. Fechando esse produtivo 300º dia de trabalho em “oroboro baobá”, reviso edit. o cap. 5 — A foz [o querido baba na aldeia!].

Aldeia Verde dos índios Maxakali. Foto: Frederico Lobo [daqui]

OITO HORAS DE REVISÃO

A meta é: finalizar o romance a tempo da inscrição no Prêmio Sesc de Literatura 2017. Ou seja, corre! Na segunda 23/01/17, apê 703-B, da manhã à noite, work work work! Entre a curadoria da FliCaixa, restos da Flica 2016, livro do meu pai e final de 2ª temporada de “Better Call Saul”, invisto um pouco mais de oito horas de trabalho no romance.

De manhã, escrevo no original as mudanças no cap. 5 — A foz, e realizo o combo “revisão edit. + mudanças no original” nos cap. 6 a 14 da parte “A foz”. Desloco a 1ª parte do cap. 12 para ser a 3ª parte do 11 [ambos d’“A foz”; é o trecho no vestiário pós-partida, jogadores saudando e xingando Montanha, e acertos Marcelino com Bip-bip].

Depois de almoçar no “pobrão”, realizo o combo “revisão edit. + mudanças no original” nos cap. 15 a 18 da parte “A foz”. Daí, revejo o cap. 28 [a parte completa de Nara Maxakali e a sua filha, da aldeia a Mucuri + o sonho da velha do orfanato, resgate de Mbira e morte do fotógrafo], e o transformo no 1 — A nascente e a foz [com o acréscimo do trecho com o resgate da foto de Miwa por Makonga no orfanato]. Revejo o cap. 30 [a parte completa de Mkini, da aldeia a Porto Seguro] e o incorporo no 1 — A nascente e a foz [com mudanças na ordem dos trechos]. Por fim, revejo o cap. 31 [Montanha no mangue de Porto Seguro, Mudinho na entrada do parque, Miwa no mangue de Mucuri, reencontro com Bartira e Mbira] e o transformo no 2 — A nascente e a foz.

À noite, reviso edit. os dois da parte “A nascente e a foz”. Pausa para destruir um original de 2016. Quase dez da noite, passo a limpo as mudanças nesses capítulos. Ao fim, com 11 da 1ª parte, 18 da 2ª e dois da última, mantenho os 31 capítulos pretendidos para o romance.

Na maioria dos trechos, só um enter na última frase resolve, mas há trechos como esse que eu tenho de criar uma nova frase [“E cadê as...”] para cumprir a 3ª restrição do romance

RESTRIÇÃO #03

Desconheço a inspiração e a data precisa do surgimento da ideia. Só sei que na terça, 24 de janeiro de 2017, apê 703-B, ponho em prática a Restrição #03 de “oroboro baobá”: todo final de capítulo ou de trecho tem que ser com uma frase curta, de uma linha no máximo. Talvez seja herança da minha veia contista, de que no final tem que espancar — frase curta, o murro é mais veloz e certeiro.

PS: Ainda nessa terça 24/01/17, reviso a contabilidade, imprimo um original e começo a revisão editorial final, cap. 1 ao 4 da parte “A nascente”.

Uma belíssima foto da Allée des Baobabs pela norte-americana Beth Moon [a própria fotógrafa a utiliza como capa da sua página no Facebook]

OROBORO BAOBÁ [14ª VERSÃO]

Em dois dias [25 e 26/01/17], apê 703-B, invisto mais de nove horas para revisar edit. os cap. das partes “A nascente” e “A foz” do romance [e escrever no original mudanças em oito cap. de cada parte]. Na manhã da sexta, 27 de janeiro de 2017, apê 703-B, reviso edit. os cap. da parte “A nascente e a foz”, escrevo no original as últimas mudanças e, às dez e meia, considero concluída a produção literária do romance “Miwa — A nascente e a foz”, mais diferente ainda da versão que está com o registro a tramitar na Biblioteca Nacional.

Para marcar a data sem fazer mais um anúncio-comédia de término, faço um post no Facebook com a linda foto de Beth Moon acima. Não tenho a data precisa, mas utilizo um recorte dela como mais uma opção de capa para sugerir à Record [pensamento mais que positivo: vou ganhar o Prêmio Sesc de Literatura 2017!]. Com esta, são quatro opções — mas a minha predileta continua sendo a sugestão com a foto de Nathália Miranda.


DISPUTA POR PRÊMIO [2ª VEZ]

Tarde de sexta, 27 de janeiro de 2017, apê 703-B. Após considerar o romance concluído, formato um PDF de acordo com o regulamento e faço a inscrição de “Miwa — A nascente e a foz” no Prêmio Sesc de Literatura 2017. Yeba! Consegui! Finalmente vou disputá-lo! E que maravilha essa inscrição virtual, prática, sem nenhum custo — quem dera todos os prêmios fossem assim.

Daí, dessa sexta até a segunda 30/01/17, elaboro e monto uma versão do romance no formato “imitação de livro” [e termino de destruir os originais de 2016; tenho essa paranoia de não deixar intacta uma cópia com texto antigo e superado].

Doideira na terça 31/01/17: depois de formatar e imprimir uma cópia do romance para disputar o Prêmio LeYa, me informo que não poderei participar: só dá para disputar um dos dois, Sesc ou LeYa. Kuéin! Escolho o Prêmio Sesc de Literatura 2017.

Sobre a minha carreira literária, ao menos uma alegria em fev/17: a booktuber paulista Rita Araújo fez um comentário muito positivo sobre o livro de contos “Olhos abertos no escuro” no seu canal no YouTube [veja aqui]

ADAPTAÇÃO PARA SÉRIE [2ª VEZ]

Depois de finalizar o processo do livro do meu pai com a editora Mondrongo [miolo e capa estão com a gráfica], decido retomar o trabalho de adaptar o romance “Miwa — A nascente e a foz” na série “Miwa” [mesmo com a parceira Gabriela Leite sem dar notícias]. Sexta, 10 de fevereiro de 2017, tarde no apê 703-B, opto por uma única temporada e retiro a parte de Mbamba e a jornada dos seus descendentes [para facilitar os custos de produção]. Começo a elaborar a 2ª versão do guia dos episódios, com as sugestões para os episódios 01 a 06 de “Miwa”.

Na manhã do domingo 12/02/17, apê 703-B, crio as sugestões para os episódios 07 a 17 de “Miwa” e termino de elaborar a 2ª versão do guia dos episódios. Daí, sem opção de tocar sozinho o projeto, interrompo o trabalho de adaptação [de que adianta começar o roteiro se a minha parceira tá sumida?].


PS: Ainda sobre fevereiro, além do trampo com a Cali e a Flica 2017 [defino que o autor homenageado será o mestre Ruy Espinheira Filho], reuniões com a Design [de CH Schroeder & João Chiodini] para projetar o festival literário das Américas [eu e Marcus Ferreira começamos a esboçar a abertura de uma nova produtora: Itacimirim Festivais] me deixam muito empolgado, pois o produto tá ficando muito bom, promissor!


UMA LUZ: USINA DO DRAMA

Sobre o romance, só me resta aguardar o resultado do Prêmio Sesc, que deve sair em junho. Sobre a adaptação, tudo parado. Marromeno. A minha irmã Kátia Moema dá a dica, resolvo fuçar e decido disputar a seleção do curso Usina do Drama [programa de formação de roteiristas para série audiovisual], oferecido pela Estação do Drama da Facom/Ufba. Em dois dias [14 e 15/03/17], elaboro o pré-projeto de série “Miwa”, adaptado do romance “Miwa — A nascente e a foz”, e o inscrevo na seleção do curso Usina do Drama 2017. Sorte está lançada [again!].

Abaixo, seguem os principais trechos do pré-projeto de “Miwa”, inscrito na seleção do curso:


Na manhã da quinta 16/03/17, apê 703-B, após terminar de assistir ao excelente documentário “A 13ª Emenda” [“13th”, 2016], da genial Ava DuVernay, na Netflix, preparo os arquivos, banco & Correios = envio o argumento da série “Miwa” [acho que era uma exigência da seleção do Usina do Drama] para registro na Biblioteca Nacional [como é um arquivo indireto de “oroboro baobá” na BN, não contabilizo como 4º registro].

Trecho do certificado de registro argumento série “Miwa” na Biblioteca Nacional, expedido em 31/10/2017

PS: Uma frustração bate forte: a Design some. Esperei tanto [estavam lidando com problemas de patrocínio para o seu principal evento], até que, no início de jun/17, adiós, parceria [não só com os sulistas; a Itacimirim Festivais naufragou sem abrir]. Foda demais! O projeto do festival literário das Américas tava tão bom...

Zanom [guitarra], Mirdad [violão, composições e produção | cantor de 2001 a 2007], Hosano Lima Jr. [bateria], saint [guitarra], Artur Paranhos [baixo] e Tadeu Mascarenhas [engenheiro de gravação e músico adicional] = The Orange Poem

ADIÓS, HYBRID

Segunda, 24 de abril de 2017, tarde. No apê 703-B, decido retomar o projeto do livro “Hybrid” [parado desde nov/16]. Relembrando: no planejamento dos romances a serem escritos, é o próximo após “Miwa — A nascente e a foz”, baseado nas minhas composições que gravei com a banda The Orange Poem — a intenção era fazer algo como o filme “Pink Floyd: The Wall”, de Alan Parker.

Primeira decisão: mudar o título para “Laranja”. Cansei de nome gringo no título. Daí, analiso a pesquisa feita em 2016 e jogo tudo fora. Ahh, preguiça de rodar mundo. No esquema tesourão, descarto as músicas “One and Three”, “Shining” e “Illusion’s Wanderer” [porque eram parcerias], e “The Green Bee” [não lembro o motivo].

Na workaholic terça 25/04/17 [inscrição Flica 2017 no Fazcultura e Rouanet, stress com a Greve Geral complicando a etapa Salvador da FliCaixa 2017, produtora avalia Orange Roots mais do mesmo, e começo a ler o espetacular “O sonho do celta”, de Mario Vargas Llosa], termino de editar as letras traduzidas [vão guiar o texto] e modifico a ordem dos capítulos. Vamos escrever? Kuéin! Na tarde da quarta, 26 de abril de 2017, apê 703-B, considero a proposta do romance “Laranja” uma merda. Apago os arquivos e desisto.

Belíssima foto de Beth Moon, presente no livro “Ancient Skies, Ancient Trees” [post no Facebook], que garimpo como mais uma opção de capa do romance para a Record avaliar [pensamento positivo, vou ganhar o Prêmio Sesc!]

ADAPTAÇÃO PARA SÉRIE [3ª VEZ]

Como resultado da imersão na obra do mestre russo Anton Tchekhov [entre jan e abr/17, leio 10 livros dele, com destaque para “O assassinato e outras histórias”, “O malfeitor e outros contos da velha Rússia” e “Um negócio fracassado e outros contos de humor”], elaboro a antologia “Um desprezo absoluto às vaidades estúpidas do mundo”, com os 80 contos prediletos [um sonho: publicá-la com a tradução de Rubens Figueiredo], e a proposta de série “A Aposta”, reunindo 30 contos na 1ª temporada [filmada no tempo atual].

Bom, a antologia fica no sonho e a série vai para a gaveta [não descolo parceria]. Ao menos na Flica consigo aprovar com os sócios uma curadoria externa pela 1ª vez, e o escolhido aceita o convite: o escritor e fotógrafo Tom Correia, curador da Flica 2017. E a Cali finalmente realiza o seu 1º evento fora da Bahia [em sociedade com a produtora Icontent]: a etapa Fortaleza da FliCaixa 2017, patrocinada pela Caixa. Uma pena que tenho de voltar no dia seguinte [sou o curador], por coincidir com a aula inaugural da Usina do Drama.

Yeahhh!!! Que felicidade!!! Segunda, 17 de abril de 2017, vejo que o pré-projeto da série “Miwa”, adaptado do romance “Miwa — A nascente e a foz”, é aprovado na seleção da Usina do Drama 2017. Yeba!!! De 149 concorrentes, ficou entre os 50 selecionados na 10ª posição. Uau!!! Tô com sangue no olho!!! Depois de dez anos, volto à faculdade onde me formei, para cursar algo que quero trabalhar. Feliz demais!!! [tomei tanto ferro em outros concursos, finalmente uma vitória]

Pré-projeto de “Miwa” entre os 50 selecionados da Usina do Drama 2017

Aula inaugural da Usina do Drama em 06/05/17

A partir de maio, os sábados serão dedicados à Usina do Drama 2017

O pré-projeto de “Miwa” foi escalado para o núcleo de animação da Usina do Drama 2017

No Ciclo I do curso Usina do Drama 2017, 13 aulas aos sábados, manhã e tarde, até o começo de agosto. A chateação é que remanejaram o meu projeto para a turma de “animação”, embora tivesse o inscrito em “ficção live-action” [não sabia que era uma premonição, haha]. Gosto do professor Marcelo Oliveira Lima, e resolvo aprender o máximo que posso.

PS: Na quinta 18/05/17, bar e restaurante Confraria do França [Rio Vermelho, Salvador, o mesmo lugar onde lancei “O grito do mar na noite” em 2015], acontece o lançamento da antologia póstuma “Mestre Dedé — O andarilho da ilusão”, com poemas do meu pai Ildegardo Rosa. Mesmo com a chuvarada, família e amigos reunidos: recitamos poemas no microfone, Sarah Fernandes nas fotos [veja aqui], eu no caixa, e a minha mãe a autografar os livros.

Kátia Moema [irmã], Martha Anísia [mãe] e eu no lançamento de “Mestre Dedé — O andarilho da ilusão” em 18/05/17. Foto: Sarah Fernandes

MIRDAD & BLOG DE VOLTA

Desde janeiro que causa estranheza entre os mais próximos e os colegas de trabalho. Bom que dura pouco: adiós, Emmanuel Rosa! Na noite de sábado, 20 de maio de 2017, apê 703-B, decido voltar a assinar Emmanuel Mirdad. Após o lançamento do livro póstumo do meu pai, fico em paz com Mirdad e aceito que não dá para renegar o que já construí — mas é importante manter o pé no chão, não dar voz às expectativas e não cultivar o desejo de sagrar Mirdad como um artista reconhecido [nunca consegui e é ótimo desistir dessa bobagem].

Então, vou retornar com o blog também! Tava com saudade! Na quarta, 24 de maio de 2017, defino um novo layout e crio o slogan “O lampião e a peneira do mestiço”. Volto a ser um blogueiro [desde 2009], com muito orgulho! Celebro com um post no Facebook.

A diretora, roteirista e produtora Susan Kalik. Foto: Adeloyá Magnoni

PRESENTE DE SUSAN KALIK

Sábado, 27 de maio de 2017, manhã. Na sala da turma “animação”, prédio da Facom-Ufba no bairro da Ondina, em Salvador, começa uma aula muito aguardada: a apresentação da storyline dos projetos dos alunos. Yeba! Finalmente vou poder falar sobre “Miwa”. Chega a minha vez e eu leio:

“A jovem Miwa é violentada pelo seu primeiro amor, gera um filho e desaparece; o trauma transfigura o seu corpo de maneira surpreendente e misteriosa. Anos depois, surge o goleiro Montanha, fenômeno que não toma gol, não permite ser tocado e é um enigma para a imprensa, que garante o título ao time de um traficante e também desaparece após a final do campeonato, sem erguer a taça. Entre a Bahia, Minas Gerais e Madagascar, acompanhe a saga dos descendentes da união fantástica de uma divindade com uma mortal, nascidos num ritual sagrado por baobás e entidades africanas, e criados, separadamente, por uma índia e por uma negra, como pessoas comuns”.

Alguns colegas ficam muito incomodados com a storyline, e uma estudante trans me descasca com raiva, saindo da sala. Outras colegas saem também. O clima na sala está péssimo, constrangedor. E eu tô arrasado; pego de surpresa, me abalo muito.

Aí, a diretora, roteirista e produtora Susan Kalik, colega da turma “animação”, elegante e calma, oferece o seu presente [indireto] ao romance, ao opinar que não aceitava que uma mulher, agredida por um homem, transformasse o seu corpo justamente num homem. Cabum! Kalik abre os meus olhos. Entro em crise com “Miwa”. Saio da sala, volto para o apê 703-B, e penso em largar o curso e abandonar o romance. À tarde, mais calmo, decido continuar na Usina do Drama e volto para as aulas na Facom.

27 dos 50 alunos do Ciclo I da Usina do Drama 2017

MIWA NÃO É MONTANHA

Segunda, 29 de maio de 2017, tarde. Após almoçar com Sarah Fernandes no apê do Edf. Silverstone, converso com ela sobre “Miwa — A nascente e a foz” e o presente [indireto] de Susan Kalik. Decido: nada de abandonar o romance! Vou fazer mudanças no enredo, e a principal é separar Miwa de Montanha.

Como não havia abordado o delicado tema de uma mulher agredida transfigurada pelo trauma num corpo masculino [e as implicações psicológicas disso] com a seriedade devida [utilizando-o apenas como mero dispositivo narrativo, indiferente], não irei mais lidar com isso; se fizesse, iria me distanciar muito do que já havia sido escrito — também acho que quem deveria escrever sobre esse tema é uma mulher ou uma pessoa transgênera.

Ou seja, a grande surpresa do romance [o goleiro não é o filho Mbira nem o irmão Mkini, e sim a mãe/irmã Miwa] vai para o lixo. Na manhã da quarta 31/05/17, ao nadar no Asbac, penso no que fazer e decido transferir o protagonismo para um personagem secundário: Mkini deve ser Montanha.

PS: Em dois dias [31/05 e 01/06/17], elaboro a 3ª e a 4ª versão do guia dos episódios [para manter o título “Miwa” na série, escolho renomear Mkini de Miwa também]. Segue abaixo a 4ª versão, com duas temporadas [destaque para o T01E07, uma solução interessante para a série que poderia ser aproveitada no romance]:


NOVO TÍTULO [10ª VEZ]

Hora do almoço, apê 703-B. Penso no que fazer com o romance, mesmo sem saber o resultado do Prêmio Sesc de Literatura 2017, porque, caso ganhasse, teria de mudá-lo de qualquer jeito [como a organização não entrou em contato, passo a achar que não ganhei — o anúncio é em junho, e eles precisam falar com o autor antes, para pegar foto e release, entre outras coisas]. À tarde desse sábado 03/06/17, liberado das aulas da Usina do Drama, decido voltar a dar preferência ao universo masculino, a pensar nas mudanças a serem feitas.

Como a dualidade “a nascente e a foz” de Miwa é descartada, perde-se o sentido do título. Segunda, 05 de junho de 2017, final de manhã no apê 703-B, modifico o título do romance para “Miwa”.


EPÍGRAFE [8ª ESCOLHA]

Acordo com fome de trabalhar no romance, mas a realidade impõe as necessidades antes do querer: tome-lhe Flica 2017 [contrato curador, programação e inscrição no edital BNDES]. Chega o finalzinho da manhã da segunda 05/06/17, apê 703-B, e eu corto do romance as epígrafes de Conceição Evaristo e Lívia Natália, pela mudança de foco para o masculino. Por preguiça de procurar uma nova, retomo a velha conhecida: “A angústia atravessou nossa equipe. Recordo o jogo como um mural com figuras patéticas, musculosas, retorcidas, esbravejando contra uma muralha intransponível”, de Tabajara Ruas [vai-e-volta danado esse!].

Na pg 03 das sugestões do escritor e professor Wesley Correia, esse belo presente do amigo: Mudinho deve se tornar Gigante

MUDINHO É GIGANTE

Cabeça tá pegando fogo, nesse recomeço do romance. Relembro do amigo e escritor Wesley Correia, e as suas palavras batem forte: “Rever o apelido — Mudinho não combina com um homenzarrão. Eu proponho Gigante (dá a medida da grandeza física e moral do personagem)”. Ele tem razão. Sabia disso lá atrás, quando o amigo enfaticamente defendeu essa opinião, e eu resisti; na época, era mais importante manter o Mudinho para evidenciar o racismo presente nesse apelido [insistir no diminutivo como redução, mesmo diante de figura tão imponente].

Contudo, Wesley tem razão. Chega de diminutivo. Nessa segundona 05/06/17 maravilhosa, apê 703-B, modifico o nome de Mudinho para Gigante. Seja bem-vindo, Gigante! Um presentaço de Wesley Correia! Valeu, demais!

Allée des Baobabs, em Madagascar [garimpada daqui, sem crédito]

CAPÍTULOS CORRIDOS VENCEM!

Mudo o título, troco a epígrafe, transformo Mudinho em Gigante... haja faxina nesse final de manhã de segunda, 05 de junho de 2017, apê 703-B. Ô, sorte! Vamos para mais uma: cai “a nascente e a foz”, perde-se o sentido do romance dividido por partes. Ou seja, mais uma rodada de “Capítulos Corridos x Partes”: desisto da estrutura “A nascente”, “A foz” e “A nascente e a foz”. O negócio é juntar tudo de novo. Junto e misturado!

PS: Esta foi a última rodada dessa disputa. Nunca mais cogitei dividir o romance por partes, e isso se manteve até a versão final de “oroboro baobá”.

Mesmo em baixa qualidade, utilizo essa foto da Allée des Baobabs como opção de capa para “Miwa” [garimpada na internet, infelizmente sem crédito]

JUNHO NA FUNÇÃO

Em nove dias, invisto mais de 42 horas de trabalho [todo feito no home office do apê 703-B] para montar a versão “Miwa” do romance. As principais mudanças no enredo: dos filhos de Misara, Miwa é o menino, adotado por Bartira, que se torna Montanha, e Luzia, adotada por Nara, a menina. Acompanhe:

Segunda, 05/06/17 [04h e 40min | manhã & tarde] — Retiro o “Ritual em Madagascar” da abertura do romance [continuava achando uma opção arriscada abrir com o fantástico] e o desloco para o final, como era originalmente. Consolido todas as partes de Gigante em Caraíva e Aldeia Mãe Barra Velha nos novos capítulos 1 a 4 [formados pelos cap. 1 a 6 — A foz] — retiro a foto de Miwa no santuário, que deixa de existir nesse novo enredo, assim como o fotógrafo, a violência, o caminhoneiro, etc.

Revejo os 2 e 3 — A nascente [sobre Mbamba/José e Dona Tonica] e os transformo no cap. 5. Algumas novidades: retiro a divisão dos trechos de Mbamba e a data do seu casamento; insiro o sobrenome Barreto para Dona Tonica [só o Sampaio é insuficiente para quem vem de uma família com condições financeiras], a informação sobre o que as mulheres da família de Ranolfo acham sobre o casamento inter-racial, a marcação da cor da pele do casal e o motivo porque Antônia se batiza de Dona Tonica [cap. 5].


Por fim, revejo e transformo: o 7 — A foz [Seleção de Porto Seguro, treino de Mudinho, preleção com treta, 1º jogo como reserva] no cap. 6; o 8 — A foz [programa de Bip-bip] no cap. 7; volto a juntar a saga dos ancestrais de Bartira com a parte sobre Benivalda & nascimento da filha [que estavam divididas como 4 e 5 — A nascente] no cap. 8.

Terça, 06/06/17 [02h e 20min | à tarde] — Daquele jeito, rever e transformar: os 9 e 10 — A foz [sarau, pensão, ameaça a Xandão, acordar de Mudinho, batismo de Montanha] no cap. 9; os 11 e 12 — A foz [estreia de Montanha no Amadô, prefeito no vestiário, sobre Sanfilippo, vestiário a celebrar Montanha, programa de Bip-bip com Marcelino, goleada contra Santaluz, Sanfilippo em Caraíva] no cap. 10.

Começo a rever o 6 — A nascente [Bartira em Mucuri e etc.] no cap. 11, retornando com a primeira descrição de Mopmadogara, que estava no “Ritual em Madagascar” [versão abertura do romance]. Com o corte da Miwa mulher, faço um reajuste sobre a volta de Benivalda a Nanuque [cap. 11].


Quarta, 07/06/17 [03h e 10min | à tarde] — Não consigo cortar o trecho-xodó do sonho da Miwa com Mbira e Mambezi. Bom, vou resolver agora: transformo-o no sonho de Bartira antes de encontrar o menino Miwa no mangue. Yeba! Revejo o 1º parágrafo do 10 — A nascente [retorno com a 1ª descrição de Mambezi] e o insiro no cap. 11 [praticamente idêntico, exceto o final], após a volta de Benivalda à Nanuque.


Sofrido, mas necessário: corto os cap. 7, 8 e 9 — A nascente [as partes da Miwa em Nanuque, Bom Jesus da Lapa, Vitória da Conquista e Teixeira de Freitas] — sorte que eu não apago; guardo “na gaveta”. Termino de rever o 6 — A nascente no cap. 11 [retorno com as primeiras descrições de Makonga e Mokamassoulé], com alguns ajustes [não menciono mais o outro cesto no mangue de Mucuri — que era pego por Nara Maxakali].


Arquivo do 6 — A nascente o trecho sobre a infância da Miwa, e as 3ª [batismo] e 5ª [só o trecho de Dona Tonica; o da Miwa em Nanuque de surpresa para Benivalda é arquivado] partes serão aproveitadas em outro capítulo.

Quinta, 08/06/17 [08h | da manhã à noite] — Revejo o 13 — A foz [sobre Gonçalo Fernandes, Trancoso e Dom Brito + golfe] e o transformo no cap. 12, assim como as quatro primeiras partes do 14 — A foz [partida, invasão, prisão de Montanha em Santaluz] no cap. 13, e as 3ª e 5ª partes do 6 — A nascente [citadas acima] no cap. 14 [explico melhor o trecho que Bartira não quer ser fecundada por um homem].


Seleciono um trecho do arquivado 9 — A nascente [o lamento de Dona Tonica em não ser mãe], melhoro o texto e o acrescento no cap. 14 [adoro recuperar trechos que gosto!].


Depois do almoço, revejo as outras cinco partes do 14 — A foz [Juvêncio no hospital e na delegacia de Santaluz] e as transformo no cap. 15, assim como os 1516 — A foz [Montanha joga fora a foto de Miwa e Bip-bip a rouba + partida em Bom Jesus da Lapa + treta no iate, morte e funeral de Marcelino + roubo da foto por Sanfilippo + acertos Juvêncio com Montanha e o prefeito] no cap. 16, forçando a barra para uma meta de 22 capítulos — como não dá para ser 31, que seja esse número mágico que o guru Smetak me ensinou [adapto o trecho de Montanha sem a foto — não gosto, mas deixo — e arquivo o roubo de Sanfilippo].


Por fim, revejo o 11 — A nascente [a vida em Mucuri com Mbira e Miwa desaparecida, acidente de Dona Tonica, rapto de Mbira + orfanato], arquivo a parte do detetive e insiro os demais no cap. 14 [guardo o parágrafo de Benivalda a apoiar a filha na busca para o cap. 21].

Sexta, 09/06/17 [04h30 | tarde] — Nas dedicatórias do romance, retiro o nome do escritor e professor Wesley Correia; continuo grato ao presente que o amigo ofereceu, mas avaliei como desproporcional diante da importância da minha mãe, irmã, pai e Sarah Fernandes na minha vida.

A página de dedicatórias do romance “Miwa”

Revejo o cap. 14 e o divido em dois: a 2ª parte [a partir de Dona Tonica com o bebê] é o cap. 17 — acrescido do trecho [revisto] do 1 — A nascente e a foz [Bartira na casa de Dona Tonica morta] como novo final, já que desloco para o cap. 20 a parte da chegada do bebê no orfanato.


E tome-lhe rever e transformar: o 17 — A foz [finalíssima do Amadô] no cap. 18, e o 1 — A nascente [ritual em Madagascar] no cap. 19 [modifico o itinerário dos cestos com as crianças de Misara e Mutujikaka: um vai para a foz em Mucuri, e o outro vai para a nascente em Minas Gerais].


Decido não matar mais o personagem Sanfilippo e revejo a 2ª parte do 18 — A foz no começo do cap. 20 [o jornalista está em Porto Seguro, não mais em Vitória da Conquista]. Passo o olho de novo na 2ª parte do 20 [orfanato, já citada acima], e troco a identificação da criança pela diretora: de “Indivíduo 023” para “M-789/1991”.


Arquivo o final do 1 — A nascente e a foz [o trecho de Dom Brito a sequestrar Mkini] e os maiores trechos do 2 — A nascente e a foz [os trechos da Miwa se tornando Montanha e vice-versa]. Divido o 1 — A nascente e a foz em dois: os trechos de Nara Maxakali e os trechos de Mkini [estes, arquivo quase tudo]. Começo a rever a parte de Nara no 1 — A nascente e a foz [arquivo os trechos: resgate da foto da Miwa por Makonga e de Mbira no orfanato + o sonho da índia Luzia], para formar o cap. 21.

PS: Na manhã dessa sexta 09/06/17, baseado no que está sendo reformulado no romance, elaboro uma nova versão da storyline do projeto de série “Miwa” e a 5ª versão do guia dos episódios [uma temporada com sete episódios].

Exercício de storyline da série “Miwa” para a Usina do Drama em 09/06/17


Segunda, 12/06/17 [08h10 | manhã & tarde] — Continuo a rever a parte de Nara Maxakali no 1 — A nascente e a foz, a transformá-la no cap. 21. Algumas novidades: a aldeia já sabe que Dona Tonica morreu; ajusto o texto à mudança de que Luzia, substituindo Mkini, é a filha negra adotada de Nara, irmã do Miwa, semideusa gerada por Mutujikaka e Misara; mãe e filha vão se refugiar em Mucuri, na casa de uma parente; quem segue para a Pedra de Ladainha é o marido de Nara [cap. 21].


Junto o parágrafo de Benivalda a apoiar a filha com um trecho do 2 — A nascente e a foz [as tentativas de Bartira com o sobrenatural] no cap. 21.


Reabro o trecho da infância da Miwa, arquivado do 6 — A nascente, e reaproveito o trecho-xodó “uma mulher como a senhora e mainha” + a surpresa da jovem Miwa à avó em Nanuque como um sonho de Benivalda no cap. 21 [para ter a conexão com Luzia — a senhora se assusta que a criança do sonho é a sua “neta”; uma premonição do encontro com a negra Maxakali]. Faço outras reciclagens e batizo a lanchonete de Bartira de “Sabor do Mangue”.


Revejo a parte de Mkini no 1 — A nascente e a foz e arquivo quase tudo; só aproveito no cap. 21: o sonho na final da Copa do Mundo transformo para Luzia, juntando com o sonho da velha do orfanato [consigo salvar esses dois xodós, yeba!]; a reflexão sobre o racismo insiro no cap. 1.


Termino de rever a parte de Nara Maxakali no 1 — A nascente e a foz, a transformá-la no cap. 21 [crio a conexão das negras com as índias a partir da lanchonete de Bartira; batizo o restaurante que ela abriu de “Miwa”, entre outras novidades].


Revejo a 1ª parte do 2 — A nascente e a foz [Montanha foge do estádio e se embrenha no mangue de Porto Seguro — as outras partes são arquivadas] e a transformo no 22, o último capítulo.


Por fim, revejo a 1ª parte do 18 — A foz [Dom Brito na pensão procura por Montanha] e a insiro no final do cap. 20.

PS: Em três dias [13 a 15/06/17], invisto mais de 11 horas de trabalho para revisar o romance. Não estou satisfeito, mas fico feliz por ter conseguido realizar as mudanças.

A 7ª sugestão para a capa do romance: a fotografia do ator beninense Djimon Hounsou pelo fotógrafo italiano Fabrizio Ferri, presente na “Acqua Series”

CAPA [7ª VEZ]

Assim como da última vez: o título muda, a capa também. Infelizmente a lindeza da foto de Nathália Miranda, tirada no Pantanal de Marimbus, é descartada; para mim, muito ligada às águas da dualidade “a nascente e a foz”. Como esse novo “Miwa” está mais representado com o masculino, a 2ª opção para a capa é promovida: a fotaça de Djimon Hounsou por Fabrizio Ferri, já citada desde a última vez, quando Sarah Fernandes me apresentou em 2016 [ela faz parte da “Acqua Series”].

É a única que permanece [descarto também as outras, com as fotos de Beth Moon e da Baule Kpwan Mask], um sonho para ser proposto à Record [ainda resta, mesmo minúscula, a esperança de ganhar o Prêmio Sesc de Literatura 2017 — vai que a decisão atrasou?]. Na tarde do feriado de Corpus Christi, 15 de junho de 2017, uma quinta, estou no apê do Edf. Silverstone, na companhia de Sarah Fernandes e, no seu laptop, atualizo a capa com a foto do italiano, e resolvo criar outras sugestões para “Miwa”.

A 2ª opção é outra fotaça, presente na série “Fractura”, da fotógrafa chilena Inti Gajardo. Em abr/16, o comparsa Max Fonseca me marcou numa publicação da revista OLD, que divulgava esse trampo da Gajardo. Ele teve a mesma sensação que a minha, como descrevi na legenda do post compartilhado: “A pessoa retratada por Inti Gajardo tem o rosto muito parecido com o protagonista do meu romance Muralha”.

Série Fractura por Inti Gajardo


A 3ª opção é uma linda arte do designer e ilustrador Willian Santiago, cujo trabalho foi recomendado por Sarah Fernandes. Em abr/17, garimpei-a num post do Facebook em que o artista descreveu assim: “resultado da live que rolou hoje no Instagram” [Willian tendência, fazendo lives há anos].

Ilustração de Willian Santiago


A 4ª e última é uma foto da Allée des Baobabs na neblina, já divulgada mais acima. Em todas as opções de capa para “Miwa”, insiro o logo da editora Record [um fiapo de esperança pela vitória no Prêmio Sesc de Literatura 2017].

PS: Importante deixar claro que essas capas nunca foram divulgadas; foram apenas um garimpo que fiz, para efetivar caso publicasse o livro, com todos os trâmites legais. Deixo aqui o meu agradecimento a esses artistas da imagem que despertaram o meu desejo de ter as suas obras apresentando o meu livro.

“Última hora”, do potiguar José Almeida Junior, foi o romance vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2017

PERDE PRÊMIO [2ª VEZ]

O fiapo desfia, pois a suspeita se confirma: na noite de sábado, 17 de junho de 2017, apê do Edf. Silverstone, vejo o resultado do Prêmio Sesc de Literatura 2017 e o meu livro toma fumo [ganha o romance histórico “Última hora”, do potiguar José Almeida Junior]. Putz! Essa doeu. Sarah me consola. Na sequência, assistimos ao fodástico longa argentino “O Cidadão Ilustre” [“El ciudadano ilustre”, 2016], de Gastón Duprat e Mariano Cohn, na companhia dos escritores Mônica Menezes e Carlos Barbosa. Que ironia!

Agora, resta-me finalizar “Miwa” para disputar outros prêmios e tentar o Sesc de novo em 2018.

“Miwa — A nascente e a foz” finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2017. Na ficha de inscrição, suprimi o Mirdad com um “M.”. E esse “baobá” que eles botaram aí foi o pseudônimo que usei, não o título do livro

FINALISTA DE PRÊMIO [1ª VEZ]

Depois da porrada, um alívio. Segunda, 19 de junho de 2017, tarde no apê 703-B. O site do Prêmio Sesc de Literatura divulga a lista dos finalistas 2017. A surpresa: “Miwa — A nascente e a foz” presente! Yeba! Um reconhecimento, finalmente!

A 14ª versão de “oroboro baobá” é um dos 27 finalistas do Prêmio Sesc de Literatura 2017, dentre os 980 concorrentes de todo o país. Alguns colegas comemoram, recebo mensagens. O amigo Tom Correia, escritor e curador da Flica 2017, faz questão de ressaltar a importância desse feito. Mas... Engraçado, a alegria não dura tanto. Surge a sensação de ter batido na trave, tipo uma medalha de prata no judô. Tanto que eu nem divulgo nas redes sociais [só comento no post “Revisando 2017”, no final do ano].

A revisora Acácia Melo Magalhães

REVISÃO DE ACÁCIA [1ª VEZ]

Avalio: a revisão ortográfica é importante para a conclusão de um original? Pela 1ª vez, decido que sim! Vou investir! Na tarde da quinta 15/06/17, solicito via e-mail um orçamento da revisora Acácia Melo Magalhães [contratei o seu serviço para o meu livro de contos “Olhos abertos no escuro”, indicada pelo editor Agenor Gasparetto, da Via Litterarum — que publicou o livro em 2016]. Ela prontamente me responde.

Acho o preço viável e acerto com Acácia a revisão do romance. Na sexta 16/06/17, envio por e-mail o original de “Miwa” e ela me dá um excelente prazo.

Os acertos com a revisora Acácia Melo Magalhães

Na noite do domingo 25/06/17, a revisora Acácia envia o seu trabalho.

Acácia envia o original revisado de “Miwa”

Na tarde da segunda 26/06/17, apê 703-B, começo a revisar a revisão dela [é importante conferir tudo!]. E já faço uma mudança: descarto o nome O Velho e o deixo apenas como Alderico [esse “o” maiúsculo tava me incomodando]. Daí, por três dias [27 a 29/06/17] no apê 703-B, invisto mais de 12 horas de trabalho nessa função de revisar o serviço de Acácia, batendo uma bola com ela via e-mail e telefone [intercalado com a leitura de “A cidade do Salvador (1549)”, de Edison Carneiro, e o trampo da Flica 2017, como coordenador geral e da curadoria de Tom Correia].

Até que na sexta, 30 de junho de 2017, à tarde, apê 703-B, tiro as últimas dúvidas com Acácia Melo Magalhães ao telefone, faço uma revisão geral, fecho a contabilidade e penso que terminou o romance “Miwa”. Só penso. Sem firmeza.

Belíssima foto de Fabrizio Ferri, presente na “Acqua Series” [daqui]

MONTANHA É MUTUJIKAKA

Manhã & tarde do sábado 01/07/17 na Usina do Drama, e o incômodo continua: o final do romance não me convence. Acho bem fraco. Na real, fracassa o livro. Putz! À noite, no apê 703-B, exponho a minha angústia para Sarah Fernandes, e a primeira leitora me dá uma luz: sugere que o Miwa não seja Montanha. Uhn... É, né? Boa!

Domingão de feriado, 02 de julho de 2017, independência da Bahia [o real início da brasileira], e eu me enfurno no apê 703-B, na função de retomar o romance “Miwa”. Pela manhã, logo de cara, decido incorporar a sugestão de Sarah Fernandes. Mas quem será Montanha então? Lembro do incômodo do escritor Elieser Cesar em 2015. Um goleiro que pega tudo não pode ser humano. É... Isso, meu amigo, você está certo. Montanha não é humano. Montanha é Deus! Na real, melhor ainda: Montanha é Deusa! Yeba!

Transformo o goleiro na Mutujikaka. É tudo fantástico, sobrenatural, pantera do realismo mágico! Então, revejo todas as passagens de Montanha, para buscar coerência na mudança para a divindade guardiã. Estou satisfeito!

Inverno, 2017. Foto: Sarah Fernandes

23 CAPÍTULOS

Smetak revelou a mágica do 22. Vibro nessa também, mas a camisa do goleiro que não toma gol é 23. Valeu, mestre alien, mas a minha maluquice pede 23. Daí, na manhã do domingão 02/07/17 [ao todo, invisto mais de oito horas de trabalho nesse feriado], apê 703-B, faço mudanças nas partes dos cap. 20 a 22 para ganhar um a mais, mexendo na ordem também: o novo 20 é formado pela parte Maxakali + orfanato; o novo 21 tem as partes finais de Sanfilippo e Dom Brito; o novo 22 tem o acolhimento das índias pelas negras [arquivo os sonhos de Luzia]; e o novo 23 tem Montanha no mangue.

À tarde, mesmo tendo retirado do original desde a sugestão de Wesley Correia, reviso, atualizo e finalizo o arquivo com a lista dos livros lidos [os mais importantes] durante o processo de produção do romance e nos anos do processo [à noite, começo a ler “Bahia: Inquisição e sociedade”, de Luiz Mott].

O romance tá incomodando ainda. Avalio que o problema é na estrutura. Na segunda 03/07/17, após almoço em prol da Flica no Manjericão [restaurante-xodó!] com Tom Correia e Max Santos da Companhia das Letras, de volta ao apê 703-B para faxinar em alta! Modifico a ordem dos capítulos, trocando partes também. Resultado: cap. 16 [Dona Tonica com bebê Miwa, acidente, Bartira na casa da amiga, Benivalda dá colo a Bartira, que tenta o sobrenatural]; cap. 17 [Bom Jesus da Lapa, morte e funeral de Marcelino, acerto Juvêncio com Montanha]; cap. 18 [Ritual em Madagascar]; cap. 19 [saga Maxakali, acolhimento das índias, orfanato]; cap. 20 [acerto Juvêncio com prefeito, finalíssima]; cap. 21 [vida das mulheres em Mucuri, partes finais de Sanfilippo e Dom Brito]. Aproveito e revejo os cap. 16 a 21.

“Den druknede bringes i land” [1913], do pintor dinamarquês Laurits Tuxen [1853-1927], incluída no romance em 03/07/17 [post no Facebook]

Pesquiso nomes dinamarqueses no São Google, e garimpo Gunilla para a diretora do orfanato, e Hedda para a velha. Recupero “da gaveta” os sonhos de Luzia e os separo: a visão da falésia retorna para Hedda, e Luzia fica com a visão da Copa do Mundo —ambas no novo cap. 22 [que começa a se consolidar, com novidades sobre Miwa no orfanato e a sua fuga — incluo no romance a pintura “Den druknede bringes i land”, do mestre dinamarquês Laurits Tuxen, porque ela me magnetiza e exige isso de mim; a sincronia me apresentou ao pesquisar nomes para as mulheres do orfanato].

“Portrait of a Kongo Ambassadors to Recife” [1637-1644], de Albert Eeckhout, ilustrando embaixadores do Reino do Kongo em visita ao Brasil [cortesia da biblioteca da Universidade Jagiellonian, presente no livro “The Art of Conversion: Christian Visual Culture in the Kingdom of Kongo”, de Cécile Fromont]

MBOKANI: A CONEXÃO DE MIWA E MBAMBA

Terça, 04 de julho de 2017, manhã. Após nadar na piscina gelada do Asbac [sem aquecimento e céu aberto, o inverno esse ano tá lenhando com a gente], e trabalhar com Tom Correia via celular, volto para a função de “Miwa” no apê 703-B. Revejo o sonho de Luzia no cap. 22. A criatividade tá em alta, e eu escrevo uma nova parte com Mensawaggo no 22. Daí, com fome, quase duas da tarde, acontece um estalo: o Miwa é o avô de Mbamba! Bingo! Yeba! É isso! CONECTOU, PORRA!!!

À tarde, após começar a assistir à fodástica série “Twin Peaks” [o retorno], de David Lynch e Mark Frost [detalhe: não vi a anterior], e trabalhar pela Flica e FliCaixa, vou com sangue no olho e escrevo sobre Mbokani, o avô de Mbamba, o Miwa que viaja no tempo com Mensawaggo para o passado no Reino do Kongo. Arremato o cap. 22 e fico muito satisfeito! Algumas novidades: mudo a identificação do bebê para “M-03/1991”; escrevo os xodós “A velha se abeira” e “confunde-se com os vultos que assombram o orfanato”; nova fala de Makonga dizendo do reencontro já acontecido; encontro do Miwa como Mbokani e a sua irmã Luzia; insiro a premissa “filosófica” num capítulo do romance [a imagem abaixo é da versão final desse ano, de ago/17 — todas as outras imagens de capítulos de “Miwa” postadas aqui foram de uma versão sem revisão, do dia em que escrevi]. PS: Por Mbokani ser alto como Montanha, corto a info “baixinho e troncudo” de Mbamba no cap. 5.


Por fim, revejo o cap. 23 e corto vários trechos d’“A libélula e o urso”, modificando a fala final de Montanha, de “Mucuri” para “Miwa”.


REVISÃO EDITORIAL [4ª VEZ]

A maluquice inventa uma meta: falta pouco para 17 de julho [o início dessa jornada], quem sabe consigo sincronizar o fim de “Miwa” com a efeméride dos cinco anos? Gosto! Rãmunéssa! #sqn

Em seis dias [05 a 07 + 09 a 11/07/17] no apê 703-B, invisto 15 horas de trabalho e faço a 4ª revisão editorial do romance. Putz! Vai acabar antes. Só se eu mocozar vou conseguir sincronizar com 17 de julho. É... Não dá para mentir. Adiós, meta.

PS: Além desse trampo, reviso a revisão de Acácia Melo Magalhães dos cap. 22 e 23, e pesquiso e troco palavras repetidas em todo o romance.

A epígrafe de “oroboro baobá” é do escritor angolano Pepetela, presente no romance “Mayombe” [LeYa Brasil, 2013], pg 112

EPÍGRAFE [9ª ESCOLHA — FINAL]

Quarta, 12 de julho de 2017, tarde. Chega ao fim a saga da epígrafe de “oroboro baobá”, após cogitar trechos de Tabajara Ruas [“... esbravejando contra uma muralha intransponível”], Eckhart Tolle [“Em vez de culpar a escuridão, acenda a luz”], Lívia Natália [“... adivinho seu rosto antigo na anatomia das pedras”], Adélia Prado [“... Mulher é desdobrável. Eu sou”], Daniel Lima [“Não é o mar que amo, é o infinito que ele sugere...”] e Conceição Evaristo [“... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?”].

No apê 703-B, atendo ao chamado da sincronia para buscar o autor angolano Pepetela [que escreveu essa pérola: “Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez”], pesquiso no meu blog [trechos selecionados do romance “Mayombe”] e leio essa frase:

O organismo vivo, verdadeiramente vivo, é aquele que é capaz de se negar para renascer de forma diferente, ou melhor, para dar origem a outro.

Uau! Bingo! É isso! Yeba! É o que o meu romance precisa. Procuro no livro [infelizmente não divulguei as páginas no post] e encontro o trecho, sinalizado em vermelho na imagem acima, na página 112 da edição da LeYa Brasil de 2013. Viva Pepetela! Mestre! Em “Miwa”, retiro a epígrafe de Tabajara Ruas e insiro a de Pepetela.


PS: Nessa quarta 12/07/17, insiro a morte do “amigo da mamãe” no cap. 14.



Na tarde da quinta 13/07/17, envio um e-mail para Pepetela contando da minha escolha. A resposta dele, no dia seguinte, é generosa como só os grandes mestres são [guardo-a como um presente muito valoroso]: “Que bom ter escrito mesmo o romance. Fico muito honrado por ter escolhido essa epígrafe. Espero que ela lhe dê sorte, pois também é preciso o apoio dos deuses para ganhar aceitação do público, que por vezes nos trai com sua indiferença”.

Trecho do certificado de registro do romance “Miwa” na Biblioteca Nacional, expedido em 25/01/2018

BIBLIOTECA NACIONAL [4º REGISTRO]

Após definir a epígrafe de “oroboro baobá” na quarta 12/07/17, apê 703-B, imprimo uma cópia de “Miwa”, organizo os documentos para o registro na Biblioteca Nacional, pago o GRU no caixa eletrônico e rubrico as 157 páginas do original. Na manhã da terça 13/07/17, vou sozinho aos Correios e envio “Miwa” para a Biblioteca Nacional [mais um arquivo de “oroboro baobá” na BN — assim como os outros, quando for registrado, já estará desatualizado].

De volta ao apê 703-B, faço uma leitura do original e fecho a contabilidade. Às 4:20 da tarde do “Dia Mundial do Rock”, considero finalizado o romance “Miwa”. Elaboro e publico no blog “Emmanuel Mirdad concluiu Miwa, o seu primeiro romance” [coleção de “post-vergonhas” desde 2014].


Começo da noite dessa terça 13/07/17, anuncio também no Facebook [que teve 99 curtidas e interações] — mais um capítulo da saga dos “anúncios-vergonha de término do romance” [mais de vinte dias depois, mexo no original “terminado”]. Também guardo com carinho esses comentários:



DISPUTA POR PRÊMIO [3ª VEZ]

Noite de quinta, 13 de julho de 2017, apê 703-B. Após considerar o romance concluído, formato um PDF de acordo com o regulamento e faço a inscrição de “Miwa” no Prêmio Paraná de Literatura 2017 [virtual, sem custo, que maravilha!]. Já havia me inscrito antes [30/06], mas pedi cancelamento [quis incluir a versão melhorada] e eles prontamente fizeram e me liberaram para essa nova inscrição. Agora é torcer: publicação do livro + R$ 30 mil é um belo prêmio [resultado será divulgado no começo de dezembro].

PS: Entre os dias 19 e 23/07/17, formato o novo original para livro caseiro [e destruo o anterior].


DISPUTA POR PRÊMIO [4ª VEZ]

Assim como em 2015, estou numa segunda, apê 703-B, formatando o original do romance de acordo com as regras do Prêmio Nacional Cepe de Literatura 2017. Imprimo, faço as cópias. À tarde, cartório para reconhecer firma e Correios para enviar. Saco! Um trambolho participar [invisto R$ 122,40]. Custa digitalizar? Muito mais prático e sem custos, camaradas! Enfim, pela 2ª vez, estou disputando o prêmio pernambucano [publicação do livro + R$ 20 mil é um belo incentivo, não?].

PS: Na sexta 28/07/17, após reunião da Flica 2017, deixo o original de “Miwa” com o escritor e curador Tom Correia, que se compromete a fazer uma leitura crítica, por amizade [a primeira leitora Sarah Fernandes já havia lido e aprovado as mudanças].

Sábado 05/08/17, alunos e professores reunidos após a última aula do Ciclo I da Usina do Drama na Facom-Ufba. Foto: João Senna [fiz post no Facebook]

ADIÓS, USINA DO DRAMA

Sexta, 07 de julho de 2017, apê 703-B. Depois de trabalhar com Tom Correia pela Flica 2017, dedico a manhã & tarde para o projeto de série “Miwa”. Baseado no que está sendo reformulado no romance, elaboro outra versão da storyline e a 6ª versão do guia dos episódios [uma temporada com seis episódios].

Exercício de storyline da série “Miwa” para a Usina do Drama em 07/07/17


Revejo os arquivos do projeto para a Usina do Drama [criados em jun/17]: visão original, universo ficcional, ambiências, protagonista, antagonista e personagens secundários. Escrevo sobre o arco dramático da 1ª temporada, listando cinco plot points: “Baba da aldeia”, “Sonhos com as entidades”, “Assassinato de Marcelino”, “Rapto de Miwa” e “Grande surpresa do final da temporada”.

Reta final do Ciclo I da Usina do Drama 2017, é preciso elaborar o projeto para ser avaliado e tentar passar para o próximo ciclo. O que realizo em três dias, no home office do apê 703-B:

Quinta, 27/07/17 [03h | tarde] — Elaboro os itens “Sinopse e Conflito Principal [storyline com até 5 linhas]” e “Conceito da série [proposta da série em sua visão original apontando temas, gênero e referências]”, baseado na visão original.

Sexta, 28/07/17 [06h | manhã & tarde] — Elaboro os itens “Formato e modelo de serialidade”, “Universo e suas leis” [baseado no universo ficcional], “Visão de comunicabilidade [público-alvo-espectadores, plano de negócios com canais possíveis de veiculação e possíveis desdobramentos transmidiáticos]”, “Descrição dos principais personagens” e “Sinopse dos cinco primeiros episódios” [baseado na 6ª versão do guia dos episódios]. Revejo o item “Conceito da série”, inserindo trechos do universo ficcional.

Domingo, 30/07/17 [04h e 10min | manhã & tarde] — Revejo todos os itens escritos. Elaboro o item “Argumento da 1ª temporada, contendo enredo e arco dramático de ficção” e envio para avaliação o projeto final de “Miwa”.


Na sexta 04/08/17, véspera da última aula do Ciclo I da Usina do Drama 2017, faço um post de agradecimento no Facebook: “Foi muito bom participar da turma coordenada por Marcelo Oliveira. Graças ao curso, pude compreender melhor o meu romance ‘Miwa’ [estou adaptando-o], a ponto de resolver umas questões pendentes e finalmente finalizá-lo em julho passado. Valeu demais! Vou ficar com saudade dos colegas. Torcendo pelos projetos ‘Baratrix’ e ‘Em Trânsito’. Bem capaz que essas ideias realmente se transformem em séries de sucesso anos à frente”.

Após observações do professor Marcelo Oliveira Lima, na manhã do domingo 06/08/17, reviso o projeto e o reenvio para avaliação.


Na noite do sábado 26/08/17, divulgam o resultado via e-mail: “Miwa” não foi selecionado para o Ciclo II [nem fica como suplente]. Kuéin! Despedida melancólica de mais uma tentativa frustrada de me inserir no audiovisual.

Edital de apoio a novos roteiristas? Opa, tô dentro!

LONGA MIWA

A primeira empreitada audiovisual vinculada ao meu romance foi em 2015, na função de transformá-lo num longa. E não é que o giramundo me faz tentar de novo? Mesmo no embalo da série por conta da Usina do Drama, acredito que dá para criar uma proposta de longa para “Miwa” e aproveitar esse edital do Ministério da Cultura, lançado em jul/17.

Pesco a dica com os colegas de curso, e me aplico para disputar essa seleção. O tal apoio ao desenvolvimento de roteiros cinematográficos propostos por novos roteiristas é bem interessante. Serão 12 roteiros inéditos, originais, de longa-metragem ficção, com temática livre, e R$ 40 mil na conta, entre outras benesses. Quero!

Primeiro de agosto, esqueci o desgosto”. Em 2017, manhã no apê 703-B, analiso como estruturar o projeto da série “Miwa” em longa. Depois, elaboro um guia para criar o argumento. À tarde, depois de abrir a conta da Flica 2017 no Bradesco, começo a escrever o bicho, que só termino na quinta 03/08/17 [invisto mais de oito horas de trabalho no apê 703-B].


Na manhã da sexta 04/08/17, apê 703-B, após começar de assistir à 3ª temporada de “Downton Abbey”, preparo os arquivos, banco & Correios = envio o argumento do longa “Miwa” [exigência do edital] para registro na Biblioteca Nacional [como é um arquivo indireto de “oroboro baobá” na BN, não contabilizo como 5º registro].

Trecho do certificado de registro argumento longa “Miwa” na Biblioteca Nacional, expedido em 27/03/2018

Invisto um total de seis horas de trabalho nessa sexta 04/08/17, apê 703-B, para concluir o projeto “Miwa”. Anoitece, e eu o inscrevo no edital. Ô, sorte, ajudaê!


Não ajudou. Na tarde do sábado 28/10/17, confiro o resultado e o projeto “Miwa”, com uma nota de 11,33, foi desclassificado [a nota de corte foi 14,00]. Ao menos uma alegria: dentre os 12 selecionados, um único projeto da Bahia, “Lafond” [com a 4ª maior nota: 16,67], da roteirista, diretora e produtora Susan Kalik, que me auxiliara com o romance em mai/17. Nossa, fico orgulhoso da ex-colega da Usina do Drama, e torço para que ela arrebente muito!


PS: Depois desse ferro, desisto, para sempre, de transformar o romance em um longa. Se for para o audiovisual um dia, que seja como série.

O escritor, jornalista e fotógrafo Tom Correia, curador da Flica 2017
Foto: Rosana Souza

PRESENTE DE TOM CORREIA [1ª VEZ]

Na manhã da segunda 31/07/17, após assistir à despedida de Olenna Tyrell [interpretada magnificamente pela inglesa Diana Rigg], a personagem feminina predileta de Game of Thrones [7ª temp., ep. 3, “The Queen’s Justice”], estou a formatar o original do romance para inscrição no Prêmio Cepe, quando chega essa mensagem do escritor Tom Correia no celular:


Ufa! Que alívio! E que expectativa! Nossa, quero muito saber das opiniões do amigo. E ele não demora, sempre gentil. Quinta, 03 de agosto de 2017, estou no apê 703-B, trabalhando no argumento do longa “Miwa”. Pouco mais de onze da manhã, via e-mail, o escritor, jornalista e fotógrafo Tom Correia oferece o seu presente ao romance: várias observações e consertos [aprendo com ele a diferença entre fronteira, divisa e limite], uma riqueza de impressões de leitura, a lembrar a generosidade e empenho do amigo Wesley Correia. Ô, sorte! Armaria, que presente!


Segunda, 07 de agosto de 2017, tarde. No apê 703-B, o amigo Tom Correia, curador da Flica 2017, expõe as suas detalhadas impressões sobre “Miwa”, e conversamos sobre os erros e acertos do romance. Aproveito a oportunidade para debater com ele, o que acaba sendo uma revisão também. Depois que o afiado contista e excelente editor vai embora, escrevo no original as mudanças. Valeu demais, meu caro Tom Correia! [e ainda vai ter mais presente em 2018]

PS: Na quinta 10/08/17, desisto de escrever um conto com a sobra de “Miwa — A nascente e a foz” [a parte da Miwa que arquivei na reformulação de jul/17], já que, caso eu inventasse de fazer uma nova versão do romance, ela poderia ser reutilizada [sábia decisão].

Em 2017, dediquei 51 dias para escrever “Miwa”

OROBORO BAOBÁ [15ª VERSÃO]

Quarta, 16 de agosto de 2017, apê 703-B. Encasquetado com o uso das palavras “agora” e “hoje”, dou uma geral nos capítulos e limpo o excesso, trocando-as por outras [para preservar a premissa “filosófica”]. Às 10h40, considero concluída a produção literária do romance “Miwa”, diferente da versão que está com o registro a tramitar na Biblioteca Nacional [assim como em 2015 e 2016].

PS: Nas contas dessa época, investi mais de 97 mil reais em horas de trabalho para criar o romance.

Ensaio por Sarah Fernandes em 23/09/17

FAÇA VOCÊ MESMO

Em set/17, ao ler “Resgatando obras”, de Nelson de Oliveira, presente no jornal Rascunho #209, tenho vontade de conhecer o trabalho do paranaense Jamil Snege, que estava com a obra “fora de catálogo”, ou seja, indisponível — os únicos livros disponíveis inflacionados pelos sebos. Que merda, hein?! Penso: porra, eu quero ser lido depois de morto, não quero ficar “fora de catálogo”! Amplio: quer saber, que se dane o livro — ninguém valoriza, é caro para ser produzido e não vende, e você ainda recebe míseros 10% pelo trabalho todo que teve de fazer, sustentando o promotor [editora] e o vendedor [livraria]. Firmo: o meu único compromisso é com a obra.

A partir de agora, os meus livros serão editados por mim, com o PDF da obra disponibilizado para download, as páginas salvas como imagens carregadas neste blog via posts e também na minha página de escritor no Facebook, tudo de graça, livre e independente, para que a obra permaneça acessível enquanto o Google existir, para além da minha morte, das decisões de herdeiros ou do desinteresse de editoras.

O primeiro dessa nova fase é “Quem se habilita a colorir o vazio?”, que reúne os 200 poemas produzidos de 1996 a 2017. Fuço tudo do meu arquivo: reviso e reescrevo os publicados no livro “Nostalgia da lama” e no não-publicado “A libélula e o urso” [os que foram cortados do romance]; resgato, reviso e reescrevo poemas espalhados em posts perdidos no blog, no acervo de composições engavetadas e dos repertórios de bandas e discos que atuei e produzi, como The Orange Poem e Pedradura [nesse processo de resgate & reescrita, gero uma produção que me orgulha, como “Uskonto on vaara”, “Antes tocava Gonzaga”, “A anedota do tolo” e “A insígnia de John Coffey”].

Capa por Sarah Fernandes

Faço um grande esforço para alcançar a meta de lançar no dia do meu aniversário, para que os poemas ficassem registrados no blog com a data de 07/10/17. Chego até a voltar de Cachoeira antes que a Flica 2017 terminasse [1ª e única vez que isso ocorre]. Dedico o meu niver de 37 anos para essa função e consigo lançar [virtualmente, ufa!] “Quem se habilita a colorir o vazio?” às 17h do sábado, 07 de outubro de 2017.

A capa é da gentil e talentosa Sarah Fernandes, baseada numa foto sua de uma árvore [além disso, ela produziu os flyers e as fotos de divulgação]. O poeta e jornalista Valdeck Almeida de Jesus, do blog Galinha Pulando, ainda em outubro, publica uma resenha positiva do livro [“Vi cuscuz, inhame, o lar, orgulho de ser nordestino, sonhos, amores incompreendidos, desejos de mudar o mundo e a si mesmo (delírios de poeta) e uma infinidade de belezas plásticas, imagens que falam e ouvem e sentem, vivas, o mundo invisível de Mirdad”, leia mais aqui], o que me deixa muito contente [alguém se pronunciou, viva!].

Ensaio por Sarah Fernandes em 23/09/17

TRADUÇÃO

No começo de out/17, determino: vou conduzir o processo de tradução da minha obra para outras línguas — melhor monitorar o trabalho agora do que deixar para alguém fazer [caso alguém se interessasse um dia, o que parece ser improvável]. Escolho a primeira língua: inglês. Então, crio a proposta de uma antologia para minimizar os gastos com a tradução; ao invés de todos, os melhores 88 poemas, ordenados de uma maneira distinta de “Quem se habilita a colorir o vazio?”, baseada no meu gosto, apenas.

Assim nasce o segundo livro do “faça você mesmo”: a antologia “Ontem nada, amanhã silêncio” [o título é outra homenagem ao escritor Mayrant Gallo, pois é uma frase que encerra o seu conto “A vida num domingo”, do livro “Pés quentes nas noites frias”, um marco na minha formação como leitor e escritor]. Para ter uma melhor tradução, faço modificações em onze poemas [com cortes de versos ou pequenas alterações].

Capa por Sarah Fernandes

Outra vez, a solícita Sarah Fernandes faz a capa [e os flyers também], baseada numa foto sua de uma tangerina. Eu edito o PDF, produzo as imagens de todas as páginas, faço o upload no blog e no Facebook, e lanço “Ontem nada, amanhã silêncio” na terça, 31 de outubro de 2017 [esse último dia de outubro, importante para “Miwa”]. PS: Disponibilizo essa antologia em português para estar presente em todos os lançamentos das edições em línguas estrangeiras [mostrar de onde veio, a origem].

Na manhã da sexta, 13 de outubro de 2017, numa boa conversa ao telefone sobre literatura com Tom Correia, o amigo me indica a tradutora inglesa Sabrina Gledhill [responsável, entre outros trabalhos, por traduzir João José Reis para o inglês]. Ele faz a ponte e eu acerto a tradutora para “Ontem nada, amanhã silêncio”. Fico esperançoso por ela ser uma brasilianista [a melhor opção é sempre um estrangeiro que seja admirador ou trabalhe com a cultura brasileira na Academia ou fora dela].

1º texto meu traduzido em outra língua

Na tarde de terça, 07 de novembro de 2017, recebo o meu primeiro texto traduzido em outra língua: o poema “Yemanja”, que a tradutora sugeriu como teste do seu trabalho, que é prontamente aprovado. Continuamos a trabalhar nesse final de ano, e o processo vai continuar em 2018 até que o meu 1º livro em língua estrangeira fique pronto e seja lançado: “Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence”.

“Miwa” finalista do Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2017. Mais uma vez, inscrito com o pseudônimo “baobá”

FINALISTA DE PRÊMIO [2ª VEZ]

Terça, 14 de novembro de 2017, o site da editora divulga a lista dos 10 finalistas do Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2017 [3ª edição do concurso]. A surpresa: “Miwa” presente! Uau! Que ano! Finalista, de novo. Melhor ainda: no páreo [resultado sai em jan/18].

A 15ª versão de “oroboro baobá” é finalista de um prêmio que qualquer um poderia participar, seja veterano ou inédito, consagrado ou não. Foda! Só que ninguém comenta. E eu, também. Nessa véspera de feriado, busco carro no conserto do ar condicionado, faço pagamentos da Flica 2017, continuo a reescrever o conto “A proposta”, compro velas para filtro, posto, supermercado, e assisto aos filmes “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.” na Netflix e “Thor: Ragnarok” no cinema com Sarah.

Nada de Prêmio Cepe. Como mosca total. Só irei saber desse presente lá em jan/18, alertado pelo amigo Tom Correia. Esqueci, por completo, de acompanhar esse concurso. Putz!

“Pequena Usina de Filmes”, lindo projeto de Gabriela Leite

ADAPTAÇÃO PARA SÉRIE [4ª VEZ]

Na tarde do sábado 26/08/17, reencontro a diretora e roteirista Gabriela Leite num bar à beira-mar da Feira de São Joaquim em Salvador [no mesmo lugar em que conversamos em 2016]. Lavamos a roupa suja sobre o sumiço dela, e eu a atualizo sobre a nova versão do romance, a crise de maio e o que rolou na Usina do Drama. Ela afirma o interesse na série “Miwa”, e que iremos fazer esse projeto juntos [Gabriela estava em Diogo, no Litoral Norte, realizando o projeto “Pequena Usina de Filmes” numa escola municipal: curso de introdução ao cinema de animação voltado para crianças, com a produção do curta de stop motion “O Mistério da Palha” feito pelos alunos].

Quase três meses depois, as minhas pretensões com a adaptação estão engavetadas [chateado com o fracasso na Usina do Drama e no edital do Minc], mas a sincronia resolve sacudir tudo na noite da quarta 22/11/17: recebo o certificado de registro do argumento para série “Miwa” [inscrito em mar/17 para disputar o acesso ao Usina do Drama], e me surpreendo com a data do documento, 31 de outubro, aniversário do Miwa e de Luzia [ou, na versão original, da Miwa e de Mkini]. Bum! PQP! Dentre todas as datas possíveis entre março e novembro, o certificado vem com essa? Interpreto: não é coincidência, é um chamado. Volta tudo! Decido lutar pela adaptação de novo!

A diretora e roteirista Gabriela Leite

Quinta, 23 de novembro de 2017, final de tarde. Eu, no apê 703-B. Ela, direto do interior da França via Skype. Conversamos mais uma vez sobre o trabalho, relato o chamado da sincronia e Gabriela topa fazer. Envio, por e-mail, os arquivos do projeto de série “Miwa” feitos para a Usina do Drama, a 6ª versão do guia dos episódios e o original do romance.

Terça, 05 de dezembro de 2017, começo da noite, nova reunião com Gabriela Leite. Ela lera os arquivos do projeto, e faz várias críticas [não aprova as mudanças]. Digo que temos duas opções: ou adapta essa versão do romance, ou inclui a parte feminina [sem transformação da Miwa em Montanha]. Debate. Ficamos meio perdidos, sem criatividade para seguir. Kuéin. Processo parado, de novo. Porém, a reunião tem muito valor: condeno a 15ª versão de “oroboro baobá”. É insuficiente; preciso retomar a produção literária do romance. Agora, só em 2018.

“Setenta”, do gaúcho Henrique Schneider, foi o romance vencedor do Prêmio Paraná de Literatura 2017

PERDE PRÊMIO [3ª VEZ]

Na manhã da segunda 04/12/17, apê 703-B, estou lendo o fodástico romance “O conto da aia”, de Margaret Atwood. Depois, reunião Cali via hangout. Enquanto elaboro o post “Música para Escrever 2017” [a deliciosa descoberta do som post-rock], vejo a notícia na internet: divulgam o resultado do Prêmio Paraná de Literatura 2017 e o meu livro toma fumo [ganha o romance “Setenta”, do gaúcho Henrique Schneider, dentre 655 concorrentes]. Ehhh... Prêmio sulista, vencedor sulista. Que péssima coincidência! Pior: não divulgam os finalistas nem ranking. Putz! Ao menos a inscrição foi sem custo.

Versões do romance: 2015, 2016 e 2017

AGRADECIMENTOS 2017

Dedico o romance à minha mãe, Martha Anísia, à minha irmã, Kátia Moema, e à primeira leitora, Sarah Fernandes. Dedico, também, à memória do meu pai, Ildegardo Rosa.

Pelas dicas, palpites e orientações, agradeço a: Sarah Fernandes (2017 e 2016); Tom Correia (2017 e 2014); Wesley Correia, Acácia Melo Magalhães, Mônica Menezes, Gabriela Leite, Eli Campos, Susan Kalik e Marcelo Oliveira (2017); Carlos Barbosa, Mary del Priore e Flávio Bustani (2016); Victor Mascarenhas, Fabrício Mota, Mayrant Gallo, Filipe Sousa, Daisy Andrade, Elieser Cesar, Márcio Cavalcante e Lorena Hertzriken (2015); Sara Galvão e Gustavo Castelucci (2014); Darino Sena, Ivan Dias Marques, Tabajara Ruas, Aurélio Schommer e Carlos Henrique Schroeder (2013); Ana Gilli (2012).

Dos livros lidos [durante o processo de escrita e fora dos dias de trabalho no romance] em 2017, são estes acima os que eu considero como os mais importantes para a minha formação como leitor e escritor

CONTABILIDADE 2017

Em 2017, investi 183 horas e 20 minutos em 52 dias [em janeiro, maio a dezembro] para escrever “oroboro baobá”.

12ª fase
80h e 40min | 20 dias 
Janeiro de 2017
[Romance “Miwa — A nascente e a foz”]

13ª fase
102h e 10min | 31 dias
Maio a Agosto de 2017
[Romance “Miwa — A nascente e a foz”]
[Romance “Miwa”]

14ª fase
30min | 1 dia
Dezembro de 2017
[Romance “Miwa” | “O enigma de Mutujikaka”]

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