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Mostrando postagens de outubro, 2026

Livro Abrupta sede (2ª edição, 2026), de Emmanuel Mirdad

“Abrupta sede” (Sansevieria Livros, 2 ª edição, 2026) Emmanuel Mirdad ISBN: 978-65-977385-5-7 18 contos | 240 pg Capa: Jorge Barreto A esposa aceita transar com outro homem para que o marido assista, mas ele não avalia a tempo os riscos envolvidos e ela é surpreendida por desejos há muito adormecidos. Um solitário porteiro leva uma vida repetitiva e ordinária, até que um par de sapatos vermelhos importados provoca o alumbramento. Uma empresária influente, sagaz e bem-sucedida, dona da grife mais valorizada, enfrenta o inimigo implacável: uma doença terminal, repentina. Um medíocre solitário ganha sozinho o prêmio de 47 milhões de reais na loteria. O que fazer? Quem procurar? Em quem confiar? A assessora de imprensa esbagaça a sua vida por conta de uma obsessão tresloucada pelo misterioso mímico de rua, sem palavras, só gestos. O delegado caça um psicopata abominável, que não deixa pistas, impressões digitais e o intento de exterminar a humanidade. O conquistador confronta um adversári...

A proposta (Abrupta sede, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui A proposta Emmanuel Mirdad           A vítima despreza o ambiente do jantar, não quer saber de romance e o que mais possa atrapalhar o abate que deseja produzir. Não disfarça a pressa e engole o prato argentino quase sem mastigar, à medida que promove a sustança e não empanturra. Desconsidera o rosto da anfitriã e saboreia o decote à sua frente; enquanto projeta as garfadas à boca como se atirasse um saco na lixeira, vangloria-se de que a mulher deve estar bem molhada, mas não compartilha nenhum sinal de aprovação além do clichê que qualquer uma espera de um homem lascador: o pau duro.           A sala é integrada à cozinha, decorada com madeira de reúso, objetos em tom pastel, vasinhos com plantas e vestígios de primeiro imóvel. A vítima se desconecta do decote e sonda o local, a analisar onde deverá dobrar a mulher primeiro. Na varanda do apartamento? Mais tarde, pois só vai servir quando ela est...

Despedaço (Abrupta sede, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Despedaço Emmanuel Mirdad           Um homem do interior se instala na cidade grande, com mar. Acorda cedo, a olhar para um vale de concreto e favela, e se locomove de ônibus, sem se preocupar com o horário, mesmo com os engarrafamentos a enfrentar. Salta no ponto indicado, anda pelas ruas do centro histórico e encontra a faculdade sediada num casarão, a espreitar um estudante de olhos claros, herdeiro de uma tradicional loja que vende tintas. Nem desconfia que, logo mais, o acaso vai provocar o turbilhão.           Com fome e suado, vindo do serviço feito no banheiro da faculdade, ele compra um acarajé e um refrigerante, a pausa que o faz perder o ônibus recomendado; o jeito é seguir em outro, de empresa, cor e rota distintas. É a primeira vez que o homem descumpre a sua rotina previamente estabelecida. Quebra o rito, e o ônibus perde o controle numa curva da orla e bate no poste. Milagre não ter ...

Botox (Abrupta sede, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Botox Emmanuel Mirdad           Aveia, linhaça e ameixa. Castanha, pasta de amendoim e absorvente. Mirtilo, azeite de oliva e chia. Marília empurra o carrinho de compras bem devagar. Hoje é terça-feira, e ela prolonga o horário de descanso, após o almoço, como nunca fez. Passeia pelo supermercado do bairro, próximo ao trabalho. Não precisa dos itens que estão no carrinho, mas ela sabe que é necessário levá-los consigo, mesmo que escolhidos a esmo, pois só é permitido usufruir o ar fresco, os corredores vazios e a segurança armada, se o cliente comprar algo. Tudo bem. A mulher compreende e respeita as leis do consumo. São estas que, munidas de nuances e táticas de persuasão, forçam os outros a custearem o seu sustento.           Marília é dona de uma loja de grife, que é referência na cidade, e vende bolsas, sapatos, vestidos, acessórios e identidades exclusivamente femininas. Com mais de quinze ano...

A veia onde corre o grande amor (Abrupta sede, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui A veia onde corre o grande amor Emmanuel Mirdad           A dançar forró, usa um vestido nu. O sangue que a cobre tem uma cor que me faz vibrar. O sabor da sua pele esvoaça cheiros pelo salão e induz fantasias. Só que nenhuma dessas informações sensoriais me deixa faminto como os demais homens, que consomem a musa com os olhos. E ela não repete o parceiro. Dança uma música apenas, agradece e adeus. O jogo de morder e assoprar. Assim, o culto se instala na festa. Todos, de latinha em punho, a esperar a sua vez. Uns, confiantes de que irão durar por uma música a mais, querem impor a sua macheza na disputa. Outros, a saber da explícita condição de bonecos, desejam ralar o bucho e fungar no cangote da musa o máximo que puderem. Já os bestas, anseiam pedi-la em namoro, noivado, casamento. Eu? Atordoado como nunca antes, estou sem chão, sem parâmetro e o máximo que posso fazer é aguardar.           Ela v...