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Ela gosta, mas não assume (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Ela gosta, mas não assume Emmanuel Mirdad Faça muito sexo, o quanto aguentar; é tão bom infringir o que tentam enquadrar. E, se for proibido, mais molhada vai estar. Transe na parede, a janela aberta, luz acesa, berre gemidos para o mundo escutar. O que ela gosta é de gozar no tempo e do jeito que ela queira. Lambo e sugo com ritmo, no compasso que ela suinga. Preencho bem duro, amor que fica é o de picadeiro. Os dedos são mágicos, e o urso abraça em concha: os cheiros dos sexos têm fome (come!). Ela quer me encontrar e não vai contar para as amigas (nem um pouquinho). Ao me procurar, a sua boca vai me engolir: receba a minha potência e me beba até o talo. Este é o meu jeito de boa: só gozo depois que ela gozar. Ela gosta, mas não assume que dispensa o homem moderninho sem sustança. Viciada no meu xamego, comigo ela geme e goza, é isso o que importa. Ela gosta, mas não assume.

Erupção (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Erupção Emmanuel Mirdad Mais tarde, você me traz respostas; agora, me beije e só. Sinta a vida prima que transborda e luta contra os signos, que me cala os trecos que tenho e nos faz um, corpo nu, silêncio e sangue. Aqui estou a amar, novamente. Ereto e erupto, você me engole faminta. Veloz a sua boca que me lambe e morde. Não há segredos mais, vem e me suga. Assim como a devasso, dou a você múltiplos, e, a me sentir soberano, desabo.

Olhos de ogiva (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Olhos de ogiva Emmanuel Mirdad Saímos do carro aos trancos de um abraço e fogo, a minha mão dentro da sua vagina tapa os jorros; estava a gozar há mais de meio jantar depois. O cheiro de puta excita; puta minha, tudo grátis — amor, o melhor contrato. Cabelos cravados no punho firme da minha violência, bato você contra a parede, regido pelo estrago das suas unhas; as minhas costas em retalhos, tecelã descarada. Geme berros e urros; os sussurros são os sustos dos outros — vizinhos a assistirem, atônitos! Meto em você na garagem, em cima do carro da balzaquiana — coitada, de pé de pica, só o vibrador sem pilha —; bem que o servente avisara: ouvido de crente. Ela desce, a rezar palavrões, mas gosta; fica um pouco escondida, atrás da porta aberta à nossa frente. Eu, metido no lasco e dedos no ânus — as súplicas de uma mulher indomável —; unhas a devorar, além das mordidas que me sangram, a escorrer dos meus lábios para os beijos, o nosso suor perfurando as trou...

Canalha (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Canalha Emmanuel Mirdad Quero o seu dedo dentro de você, a passear pela memória táctil de todo espaço que ocupei ontem à noite. Leve-o à boca e lamba uma pequena amostra do oceano que produzi, com jeitinho, milimétrico, cilíndrico, “você é minha”. Sim, lamba e o coloque de novo, mais uma, mais outra, mais tarde, vai perceber que nunca mais me terá de novo. Relaxe... Não farei falta alguma.

Frankenstein (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Frankenstein Emmanuel Mirdad O rosto e o corpo de T. A elegância, o porte e o charme de J. A coragem, a vontade e a entrega de M. A articulação, a inteligência e a disposição de ¬A. O enigma nos olhos e o gosto musical de S. A ironia e a acidez de B. O toque e a massagem de R. A voz e os gemidos de L. A dança e a ternura de V. O beijo e o boquete de MR. E a bunda abissal da morena da Embasa. Ah, se eu pudesse fatiar tais porções suculentas, pedaço por pedaço, ajuntaria, no meu prato-ego, um banquete memorável, a devorar por anos. Ainda assim, não me fartaria. O problema não é vibrar pela coleção, e sim aferrar-me à edição de uma probabilidade única, que, provavelmente, já estará casada e com filhos, amando, só para retratar o que todos afirmam: é impossível! Porém, aferrado como estou, prossigo, arqueólogo, a explorar os fragmentos em contínua restauração das memórias que, em suma, é a única posse que tenho.

2011, a odisseia de um domingo (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui 2011, a odisseia de um domingo Emmanuel Mirdad Guerra, ignorância, poluição e fome, mas o homem não consegue parar o mundo. Terremotos, tsunamis , tempestades, seca extrema, e nem a Terra consegue parar o mundo, quiçá a si própria. Nunca houve um freio após a gênese, nos confins da origem. Entretanto, subestimado como microscópio ao calendário insípido dos astros, hoje, um domingo de março de 2011, ousado e desprendido, foi o dia em que a Terra parou. Malucos não somos, e não foi um sonho, seu Raulzito. Saímos de casa, confrontamos a tempestade, e o nosso oásis maktubou-se, materializado. O amor freou o mundo e confundiu o tempo, que não soube mais o que contar e mensurar, quando a força do incrível gigante brecou a rotação do planeta, só para que os nossos braços pudessem rodopiar as sensações dos imortais. Abraçados como ficamos, a reconhecer o ninho em que as galáxias são gestadas, hoje fomos eternos.

Incondicional (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Incondicional Emmanuel Mirdad O amor é raro. Acontece, e não dá para medir, comparar ou quantificar. Quem ama, não ama mais do que o outro. Os dois amam, na mesma sintonia, que traz paz ao abraço de lar, aconchego ao segurar as mãos em conforto pelo encontro, afeto ao expor a gratidão evidente por estarem juntos, sem condicionantes. Os dois amam, na mesma vibração, a gozar o sublime pelo encaixe harmônico e feroz dos corpos — sem o erro infantil de provar uma performance —, o beijo com o querer ampliado pela profundidade dos lábios, a degustar o sabor da pele que nos complementa e amplia, a bailar os passos que nos combinam como um só ingênuo, a fluir a dança de Maya, todos os divinos seres que se transcendem ao sorrir, deslizar, fruir e intuir. O amor, raro, é o incondicional. É o mais próximo que podemos materializar do que é divino, astral, positivo, do bem. E, entre tantas figurações nocivas do que é o afeto, ser um casal e amar, incondicionalmente, a ...