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Olhos de ogiva
Emmanuel Mirdad
Saímos do carro aos trancos de um abraço e fogo,
a minha mão dentro da sua vagina tapa os jorros;
estava a gozar há mais de meio jantar depois.
O cheiro de puta excita;
puta minha, tudo grátis
— amor, o melhor contrato.
Cabelos cravados
no punho firme da minha violência,
bato você contra a parede,
regido pelo estrago das suas unhas;
as minhas costas em retalhos,
tecelã descarada.
Geme berros e urros;
os sussurros são os sustos dos outros
— vizinhos a assistirem, atônitos!
Meto em você na garagem,
em cima do carro da balzaquiana
— coitada, de pé de pica,
só o vibrador sem pilha —;
bem que o servente avisara: ouvido de crente.
Ela desce, a rezar palavrões, mas gosta;
fica um pouco escondida,
atrás da porta aberta à nossa frente.
Eu, metido no lasco e dedos no ânus
— as súplicas de uma mulher indomável —;
unhas a devorar, além das mordidas que me sangram,
a escorrer dos meus lábios para os beijos,
o nosso suor perfurando as trouxas das nossas roupas,
empurradas de lado, metidas por dentro
de pau, saia, cueca e zíper — o desgraçado
vai desenhar uma linha roxa no meu mastro.
A nossa plateia aumenta:
o brocha do 402, duro, a bater punheta;
além dos gays, os meus cunhados,
rapazes e moças,
a brincar de
“eu também quero”.
Todos os sons escancaram
o que avança pelo prédio:
sexo, sexo, sexo.
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