Download no Google Drive aqui
O teco-teco
Emmanuel Mirdad
Se não há amor, há a sobrevivência,
o ter que respirar, comer, cagar,
ser–temer–estar,
a gravidade, a oscilação e os pesadelos,
a educação, os métodos e os outros,
o cercado que delimita
as fronteiras e as minas,
o toque pelo escambo,
as palavras programadas,
o descartável que faz sobreviver
o pai diálogo, que suporta a
animosidade humana do conviver,
o barulho, os berros, o fútil e inútil perpetuar
— é essa porcaria
ou o silêncio e a fuga misantropa —,
esvaziando-se ao acúmulo do cansaço.
Não há cabo a dar,
porque me importa
e é caro o viver.
Falta-me o amor,
que está livre
e irá voltar,
nem que seja
de teco-teco.
Comentários