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El’eu
Emmanuel Mirdad
O mal que há em mim
não me deixa, não me trai,
não me fascina, mas se faz necessário.
É o vigor, o que sustenta a cobiça,
o que raciocina, interage e negocia,
o que violenta e não desperdiça.
O mal que há em mim
é o disfarce volátil, razão e método
que mascaram o engano.
É o que arrebata, arregaça e anoitece;
o alimento que impulsiona o equilíbrio,
entre o caos e a abonança.
O mal que há em mim
tenta me convencer a ser o que for,
para ter sempre o controle.
Mas não consegue; o seu lugar é o subterrâneo,
subalterno, escondido e camuflado,
dosado na medida em que preciso.
Há, em mim, um ele-eu;
além de mim, o mal e Deus.
Há, em mim, a luz e o breu;
além de mim, só eu.
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