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Incondicional
Emmanuel Mirdad
O amor é raro.
Acontece,
e não dá para medir,
comparar ou quantificar.
Quem ama, não ama mais do que o outro.
Os dois amam,
na mesma sintonia,
que traz paz ao abraço de lar,
aconchego ao segurar as mãos
em conforto pelo encontro,
afeto ao expor a gratidão
evidente por estarem juntos,
sem condicionantes.
Os dois amam,
na mesma vibração,
a gozar o sublime
pelo encaixe harmônico
e feroz dos corpos
— sem o erro infantil
de provar uma performance —,
o beijo com o querer ampliado
pela profundidade dos lábios,
a degustar o sabor da pele
que nos complementa e amplia,
a bailar os passos que nos combinam
como um só ingênuo,
a fluir a dança de Maya,
todos os divinos seres
que se transcendem
ao sorrir, deslizar,
fruir e intuir.
O amor, raro,
é o incondicional.
É o mais próximo
que podemos materializar
do que é divino, astral,
positivo, do bem.
E, entre tantas figurações
nocivas do que é o afeto,
ser um casal e amar,
incondicionalmente,
a confrontar o hábito
do egoísmo e da ostentação,
é um ato de coragem.
E que esses amantes
sejam o nosso farol,
a iluminar a esperança
de ter a sorte de um encontro
com o amor, o raro,
incondicional.
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