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Quando escrevo, é assim
Emmanuel Mirdad
Sozinho,
no menor cômodo
do apartamento 703-B,
com o som do computador
ligado à frente;
atrás, a estante com os livros
do meu apreço.
Ao pé da cadeira,
a garrafa de água mineral
cheia de água do filtro de barro.
Sem café, cigarros ou álcool,
escrevo por parágrafos
e pauso.
Viro a cadeira
e toco nos meus livros:
Nelson Rodrigues, Hélio Pólvora,
Mayrant Gallo, Pepetela,
Tchekhov, Machado,
Clarice e os outros
— o tato me faz refletir sobre
o que devo cortar ou acrescentar.
Volto-me ao monitor,
viro a cabeça à esquerda,
e vejo o Shopping Itaigara pela janela;
mas os olhos seguem pelo horizonte,
até avistar, bem longe,
o que acredito ser
as majestosas palmeiras
da Fazenda Grande do Retiro.
Daí, o som do Sigur Rós
ou Hammock,
Pink Floyd, Radiohead,
ou de algum grupo de post-rock,
vibra-me de volta ao texto,
de volta à lápide.
Quando escrevo, é assim.
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