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Convivência
Emmanuel Mirdad
É tão estranho estar numa roda de conversa
e não ser cúmplice de valor algum
compartilhado entre os comuns,
aqueles tipos específicos que,
ao menos na teoria,
fazem parte do seu nicho sociointelecultural,
parte do seu umbigo panelinha,
onde dá para arrotar à vontade
o que o Google ensina.
É como pairar, à espreita,
e não vivenciar.
Como se buscasse, silenciosamente,
um cantinho de possibilidade
em se materializar
naquela forma compactuada
e celebrada pelo outro.
Mas ela não surge,
e você continua a fingir,
como um papagaio adestrado,
a não distorcer o pacto da boa convivência.
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