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Não partam as minhas pulseiras
Emmanuel Mirdad
Nada do que produzi por aqui,
em papéis digitais ou impressos,
é destinado à fala ou ao teatro.
Quero apenas o silêncio dos olhos
cravados em digestão,
perpassados por um soco no estômago,
a cada sílaba,
e uma cruel ducha fria
de espinhos pontiagudos,
a passear por cada fluxo de sensações,
em busca do raro choque da reflexão
— ou não.
Portanto, caro palhaço ou poeta
ou bêbado ou chato,
não amplie a sua audácia por aplausos,
em cima do que trato por aqui,
os meus enquadros.
Que você fique bem distante
dos meus escárnios
— dedicados, apenas,
a quem se empanturra
no estático êxtase
do contemplar
na solidão.
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