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2011, a odisseia de um domingo
Emmanuel Mirdad
Guerra, ignorância, poluição e fome,
mas o homem não consegue parar o mundo.
Terremotos, tsunamis, tempestades, seca extrema,
e nem a Terra consegue parar o mundo,
quiçá a si própria.
Nunca houve um freio após a gênese,
nos confins da origem.
Entretanto,
subestimado como microscópio
ao calendário insípido dos astros,
hoje, um domingo de março de 2011,
ousado e desprendido, foi
o dia em que a Terra parou.
Malucos não somos,
e não foi um sonho,
seu Raulzito.
Saímos de casa,
confrontamos a tempestade,
e o nosso oásis maktubou-se,
materializado.
O amor freou o mundo
e confundiu o tempo,
que não soube mais
o que contar e mensurar,
quando a força do incrível gigante
brecou a rotação do planeta,
só para que os nossos braços
pudessem rodopiar
as sensações dos imortais.
Abraçados como ficamos,
a reconhecer o ninho
em que as galáxias são gestadas,
hoje fomos eternos.
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