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Cru, com farinha e quiabo
Emmanuel Mirdad
Arranco o meu coração
e o entrego a você em mãos,
intacto, a bombear sangue,
respingando, em todos os cantos,
a maior soberba que produzi.
Entretanto,
você não o utiliza como adorno
e não o devolve para mim,
inteiro ou em pedaços.
Há o buraco,
isto sim,
sem fundo,
nem borda.
O insólito:
não há o que eu possa inserir no meu peito
para preencher o espaço vazio,
nenhuma forma ilusória
ou artefato tecnológico.
Desabo.
Sem saber que você comerá o meu coração,
cru, ao molho pardo,
num bar de beira de rua,
misturado com farinha e quiabo.
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