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Mafuá
Emmanuel Mirdad
Eu sou negro,
eu sou branco,
eu não estou acromático.
Eu sou pardo,
amarelo,
multicor.
Nordestino,
litorâneo,
de São Salvador.
Glocalizado,
sertãopolita,
provocador.
Autoafirmo a raça humana no meu diagnóstico;
a cor de pele é só um mero detalhe genético.
A minha identidade é um bagunçaço estrambólico:
ajaiô, anarriê, bundalelê.
No fim, qualquer um escorre
num fio vermelho de sangue.
Eu toco samba-rock,
faço groove e danço xote;
psicodelia em Carnaval,
miscigenado caos.
Incorporo tendências,
transito em simbiose;
multifacetado delírio tropical.
O que me incomoda é o padronizar da casca.
Branco, negro, pardo, e você, é o quê?
Tem certeza de que é isso mesmo?
É preciso suprir as reais carências.
No fim, qualquer um escorre
num fio vermelho de sangue.
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