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Caraíva em Cachoeira (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

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Caraíva em Cachoeira
Emmanuel Mirdad

Caraíva surge como assunto
numa mesa de bar em Cachoeira.

O calendário tenta registrar,
e a sincronia dispensa
a formalidade frágil das convenções,
para anunciar a conexão
entre dois supostos estranhos
que estranhamente concordam que
o melhor de Caraíva é a Praia do Espelho.

Como se a traquinagem fosse antecipar
a felicidade que virá,
quando ambos mergulharem
um no reflexo do outro,
meses após, meses antes, meses agora
olham-se pela primeira vez
com a liberdade da senha:
“Praia do Espelho”.

A espelhar o caminho que zera o mundo,
pois tudo é cenário, só há o xote
e o abraço, o toque, os corpos juntos
como o encontro havia previsto,
desde sempre.

A respiração desse casal é parte da dança de Deus,
corporificada com todas as raízes necessárias
à fluidez do amor.

Pois as casinhas coloridas,
o pôr do sol na foz do rio,
a vibe das pessoas e da natureza,
bem como a história viva dos casarões,
a energia das gerações de negras e negros,
o rio e a grande obra do homem
como ponte entre cidades e esperança,
tudo de belo e de bom que há
no encontro de Caraíva em Cachoeira,
só é possível na luz do astro-rei
que bronzeia e marca a pele
da mulher do sorriso de esgrima,
do homem do tamanho de um baobá.

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