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Bregueços
Emmanuel Mirdad
Não fique em casa,
enquanto a vida passa e não volta;
não reclame da vida,
enquanto tantos doentes sofrem;
não curta a fossa,
enquanto muitos sentem fome;
não gaste o seu o tempo à toa,
já que eu ainda estou aqui
e quero o seu bem,
porque amo você.
[ ]
Eu fico em casa, para embarcar
no bumerangue quando ele voltar.
Reclamo, porque a vida é minha,
e não há processo que me pague os abusos.
Da fossa onde às vezes habito,
descanso em confortável chapação.
Se alguém sente fome e eu não vejo,
logo, não existe, e prossigo infeliz.
Você logo passará, e depois eu,
e todos os outros e os seus bregueços.
Ainda bem que eu também amo você.
[ ]
O tempo é sempre à toa;
o mundo é que gira,
lé com cré, oxe!
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