Frankenstein
Emmanuel Mirdad
O rosto e o corpo de T.
A elegância, o porte e o charme de J.
A coragem, a vontade e a entrega de M.
A articulação, a inteligência e a disposição de ¬A.
O enigma nos olhos e o gosto musical de S.
A ironia e a acidez de B.
O toque e a massagem de R.
A voz e os gemidos de L.
A dança e a ternura de V.
O beijo e o boquete de MR.
E a bunda abissal da morena da Embasa.
Ah, se eu pudesse fatiar tais porções suculentas,
pedaço por pedaço, ajuntaria,
no meu prato-ego,
um banquete memorável,
a devorar por anos.
Ainda assim, não me fartaria.
O problema não é vibrar pela coleção,
e sim aferrar-me à edição
de uma probabilidade única,
que, provavelmente,
já estará casada e com filhos, amando,
só para retratar o que todos afirmam:
é impossível!
Porém, aferrado como estou,
prossigo, arqueólogo,
a explorar os fragmentos
em contínua restauração das memórias
que, em suma, é a única posse que tenho.
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