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Entre a forca e a pólvora
Emmanuel Mirdad
Eu sou um ser definido e frágil,
preciso dos meus sonhos a cada instante
e as minhas escolhas são únicas e letais:
se falho, despedaço; se ganho, desobedeço.
Vou às festas e me sinto agulha;
ninguém pode se aproximar de mim
— o meu humor é cáustico,
e eu sou discreto e perigoso.
Apenas não quero ser mais um idiota
e conversar bobagens, futricas,
outra hiena a lascar seda
e a lamber botas.
As minhas palavras são curtas e poesias.
“O que foi que aconteceu de tão medonho?”
— alguém quer me vasculhar.
Penso,
mas não respondo:
“Tentarei existir muito longe daqui.
Tentarei existir, apenas”.
Vou viver longe
— existir, insistir.
Viverei lá bem longe
— resistir, persistir.
Eu tive um amigo que me trouxe o suicídio;
estava tão ausente, que me pareceu gênio.
Disse-me que tinha bebido veneno
e que a sua carne tremia, ansiosa,
por descanso.
Ingênuo...
Aprisionado,
com a chave nas mãos,
conheceu a podridão
do fracasso e da glória,
e não aprendeu que
há momentos na vida em que
ou se usa uma máscara,
ou a sua força oscilará
entre o vento e a rocha,
entre a forca e a pólvora.
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