Download no Google Drive aqui
Espreita
Emmanuel Mirdad
A TV está desligada.
Na sala, o escuro.
Duas janelas acesas lá fora,
vinte para as quatro da manhã,
que é hoje, ainda, porque não dormi
— nem posso.
O peito ardeu estranho.
Só, tenho medo de fechar os olhos
e não abrir mais como Emmanuel Mirdad.
Aliás, quando morto, quem será eu?
— o meu lar é aqui; ademais, não interessa.
Ferreira Gullar na cabeceira,
que ainda me diz tudo, mesmo sem luz.
Os meus ossos estão arrepiados;
não quero dormir à espreita do desconhecido.
Comentários