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Crônicas
Emmanuel Mirdad
Você embarcaria no táxi de prefixo 171?
Enquanto uns pensam, outros acreditam.
Mas tudo não tem o seu preço?
De que adiantam o álcool e o fumo,
se ela ainda indaga?
“A vida é o inferno cheio de condecorações”.
Será que é por aqui que ela escorrerá?
Será que ela virá?
Percorremos juntos.
Quero um amor que seja bom para nós.
Para cima, todo São Tomé ajuda?
E se, quando fechar a porta, estiver vazio?
E quem dirá que não é um espetáculo?
Se ela parar de correr, vai lanchar a paz.
Seguir sempre faz a força comigo.
Da música, faz-se a luz;
porque é primavera, não a amo.
Para quem deve ir o primeiro pedaço?
A autonomia de sair só e curtir, à noite,
é uma puríssima dose de liberdade.
Expandir-se ou conter-se?
Reconheço, valorizo,
mas a Bahia tem muito mais.
Dormir, ao banho de lua, faz mal?
É no bar de beira de rua
que o estômago reitera a baianidade.
Uma só não basta.
Mais uma árvore cairá em Salvador.
Mais uma casa, também.
Triste.
Ainda colocarei o dedo
dentro do ventilador.
O dela? Ou o meu?
Carinhosamente no cofrinho,
descaradamente no rego.
Pensou ousadia como eu?
O único origami que aprendi na vida
foi o de transformar princesas em rãs.
O cuscuz nosso de cada dia nos faz o hoje.
O fetiche é garantir
a decadência na posteridade.
É para entrar ou sair?
Devidamente alimentados, prontos para voar.
Curvo-me às curvas do nosso feudo.
O cão vadia em mim;
estacionei o meu infortúnio
na revitalização das paranoias.
A sereia pede 2 altos e volta para casa.
Galinhas no varal.
Farelo pouco, o meu bico primeiro.
O mais difícil é lavar
a roupa suja consigo mesmo.
Para convencê-la de que é arte,
basta argumentar.
Se colocar uma assinatura específica,
vira obra de arte e passa a custar muito
— e a ilustração exposta é apenas um tênis,
encostado numa cadeira,
adulterado no Photoshop.
Qual dos dois está realmente morto:
o soldado morto que não sabe se está,
ou o comandante que enviou à morte
o pelotão completo?
Mustang conversível amarelo placa 1968.
E ela, está olhando para o quê?
Vou ficar aqui; prefiro a surpresa
ao excesso de soluções.
Antes do fim, peneiro dum roteiro
dos irmãos Parlapanides na Netflix:
“Um homem sempre encontra o seu destino
no caminho que seguiu para evitá-lo”.
Exato! Não há livre arbítrio.
Enxergo mais o outro lado
do que os tijolos.
A estrela tem que me elevar
mais do que a cruz.
A minha cabeça guarda a pilha
melhor do que num pendrive.
Vou ziguezaguear os meus passos
na direção do infinito.
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