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Cuscuz
Emmanuel Mirdad
Todo dia, de manhã, eu como;
quente ou requentado, seco, farelado,
quase a panela toda no prato fundo, amarelo,
cimentado por duas fatias de mussarela,
e a boca apressada de não saborear;
tal qual escovar os dentes,
é só para ocupar espaço,
entupir o bucho
— sem café, manhã.
Comedor de cuscuz e inhame,
participo do Nordeste que me situa e enraíza;
aqui é o lugar a que eu pretensamente pertenço,
o pêndulo que me badala cangaço e trabalho,
lar e gene da gente do sol e salitre
— mas é por mim que nunca cesso e prossigo,
avexado e alumiado, cabra macho.
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