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Nostalgia da lama (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

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Nostalgia da lama
Emmanuel Mirdad

          1996. O meu pai acolhe o meu pedido e me troca de escola: saio do Colégio Drummond, onde sofri como um nerd de filme estadunidense dos anos 1980, e vou cursar o Ensino Médio no recém-inaugurado Colégio PhD (a sede localizada na Praça Marconi, onde hoje funciona o Bernoulli), também no bairro da Pituba (quem pagou as mensalidades foi o meu amado tio Abelardo, irmão de Ildegardo; o orçamento nosso era curto, não dava para o luxo de uma escola particular). Poucos alunos, turma M, vespertino. Algumas patricinhas, nerds e maconheiros; a maioria, estudantes comuns, invisíveis. Eu? Penso em virar monge, ir para São Paulo estudar zen-budismo. Não sou mais o nerd da fileira à beira do quadro-negro, de óculos, camisa para dentro do jeans, conga nos pés e as notas mais altas da turma. Agora, tacham-me de doido: fico tocando reggae nos bancos de concreto da praça, a ouvir Bob Marley & The Wailers no walkman, conversando sobre teorias & devaneios espirituais com os esquisitos que se aproximam. Invisíveis, somos.

          Estou na sala do 1º M, intervalo de uma aula. Sozinho, numa carteira do fundo, colada na janela, com a vista para um resquício do mar da Pituba, escrevo “Solidão”, o meu primeiro poema. Versos ingênuos, rimas pobres do tipo “amor com dor”, um marco: é a minha estreia na literatura; fundo-me poeta meses antes de completar 16 anos. Escrevo no caderno: “Emmanuel Mirdad, poeta”. Baiano não nasce; baiano estreia. Paixão à primeira poesia.

          Gosto de afirmar: “eu sou poeta”. Escrevo um monte de versos, migro o excesso para as minhas composições, organizo um original, batizo-o de “Deserto poema”, desejo vê-lo impresso, edito um PDF, imprimo em casa e mando encadernar para simular o prazer tátil de sentir a obra pronta, divulgo um monte no meu blog e não consigo viabilizar o meu primeiro livro de poemas, seja por edital, editor doido ou do próprio bolso — estreio como autor em 2010, com o livro de contos “Abrupta sede”, publicado pela editora baiana Via Litterarum; posso escrever contos, mas continuo me achando poeta.

          Em 2012, viro leitor, com hábito e dedicação (o recorde, até agora, são os 63 livros lidos em 2016), embora a seção “Leituras” do meu blog (um dos meus tesouros) seja criada apenas no ano seguinte. “Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo”, e o bruxo enfeitiça na obra-prima “A igreja do Diabo”. Ô livro bom esse “50 contos de Machado de Assis”! Organizado pelo crítico inglês John Gledson, é um dos mais importantes a me influenciar. Tô fissurado, quero adaptar Machado para o cinema, publico no blog uma lista com as “premissas” de mais de vinte contos, muita coisa boa. Mais drama: do conto “Singular ocorrência”, peneiro a expressão “nostalgia da lama”, que aterrissa na minha vida.

          O poeta e dramaturgo francês Émile Augier (1820-1889) apresenta a expressão nostalgie de la boue na sua peça “Le Mariage d'Olympe” (1855), no final da cena I do primeiro ato. O personagem principal, Marquês de Puygiron, fala algo do tipo “coloque um pato num lago de cisnes, e você verá que ele sentirá falta do seu lago e, eventualmente, retornará a ele”, e o personagem Montrichard responde: “La nostalgie de la boue!”, ou seja, “A nostalgia da lama”.

          A peça é traduzida para o português. E o bruxo-mestre, admirador de Émile, insere a expressão no conto “Singular ocorrência”, de 1883. Quase 130 anos depois, leio, na pág. 209 da antologia “50 contos de Machado de Assis”, uma fala de um diálogo: “Há uma frase de teatro que pode explicar a aventura, uma frase de Augier, creio eu: ‘a nostalgia da lama’”. Yeba! Imediatamente, decido batizar algum livro meu com a “frase de teatro” que me impacta pela sonoridade e sentido. Como não há um projeto de livro a ser feito e os que estão em produção possuem títulos de que gosto, sobra para “Deserto poema”, que vai para o limbo (termina por nomear um conto publicado no livro “Olhos abertos no escuro”, essencialmente adaptado de poemas descartados), mesmo eu amando esse título — perdeu porque ficou engavetado por muitos anos.

          A aventura do livro de poemas está rebatizada de “Nostalgia da lama”, sem o artigo ‘a’, por ter sonoridade melhor. De volta à página 209, relembro a nota do organizador inglês, que informa: “(...) Le mariage d'Olympe, traduzida para o português em 1857, proibida pela censura naquela época, mas representada com certo sucesso no Rio em 1880. A peça mostra a maldade da heroína, Olympe Taverny, ex-cortesã que se casa com o conde de Puygiron, mas, por tédio (ou por ‘nostalgia da lama’), acaba voltando a seus antigos hábitos”. A gaveta dá um tédio e eu escrevo um projeto para disputar edital de publicação. Consigo aprovar o livro de Mayrant Gallo, mas o projeto de “Nostalgia da lama” não; gaveta, de novo.

          Sexta-feira 13, é dezembro no Rio Grande do Sul, e eu estou entrincheirado no hotel Master Royal da avenida Maranhão, em Porto Alegre, triste, entediado e doido para voltar a Salvador. A mulher que havia me inspirado a criar uma festa literária em Canela acaba de me dar o fora definitivo, após variados & miseráveis desprezos ao longo de 2013. Mais drama: volto da Serra Gaúcha com uma sinusite das brabas que quase me empacota, além da marca que me fustiga: dois anos sem a voz & o carinho do meu pai, o ombro que me convencia a prosseguir.

          O trabalho me salva. À tarde, decido publicar os meus livros por conta própria, com o selo da Mirdad Cultura (o mantra do it yourself rege a minha vida). Vou começar com “Nostalgia da lama”, para desengavetar os poemas. Meto a mão: crio um modelo de capa, a usar uma tela do artista plástico, poeta e cineasta Nelson Magalhães Filho, do blog “anjobaldio”, que define a sua arte: “Não acredito na pintura agradável. Há algum tempo, meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver”. Gosto! E planejo: todos os meus livros com o mesmo modelo, sempre com as telas do baiano de Cruz das Almas (em janeiro, ele autoriza o uso das suas telas sem custo, um presente — e apenas a 1ª edição de “Nostalgia da lama” foi publicada com uma arte de Nelson, por decisão minha).

          “Nostalgia da lama” vem fumegando desde o Réveillon 2013-2014 (festejado no home office do apê 703-B, na Pituba, a editar, remodelar e inserir novos poemas na versão final) e me consome de janeiro a junho no ano do 7 a 1. Escrevo, crio as telas internas, faço o design da capa (com uma linda pintura de uma mulher nua, “Série nus”, de 2004, mista sobre papel 70x50cm, do cruzalmense Nelson), coordeno a editoração de Marco Schommer (filho de Aurélio, então sócio da Flica, que faz a revisão do livro), acerto a publicação pela editora Cousa só para não lançar como “edição de autor”, coordeno o processo, contrato gráfica, pago por 100 exemplares de capa dura (opção mais cara, tudo para causar na estreia em poesia com uma bela obra de arte em papel — que boçal!), faço a assessoria de imprensa, dou entrevistas (TV Bahia, jornais Correio e A Tarde, entre outros), divulgo nas redes sociais, produzo o lançamento no sábado, 31 de maio de 2014, na sede original da RV Cultura e Arte (na rua de acesso à Praia do Buracão, no Rio Vermelho, Salvador da Bahia), boto o paletó do meu terno com uma camisa estilosa, autografo para familiares, amigos e escritores (nenhuma pessoa desconhecida, ninguém motivado porque viu/leu na imprensa), faço o pós-evento, divulgo as lindas fotos do lançamento (feitas pelo mestre Leo Monteiro no cenário estiloso da RV, tudo massa — a melhor sessão dentre todas que fiz) e envio livros para escritores conhecidos (o saudoso mestre Hélio Pólvora responde: “é uma beleza, por dentro e por fora. Edição caprichada, hard cover, papel pólen de alta qualidade. E, como lastro, uma poesia ‘personalizada’, plena de conceitos existenciais que significam buscas e transfiguração da realidade sem magia. O desencanto e a rebeldia são traços dominantes”).

          Bom, todo esse trabalho e... “Nostalgia da lama” é revisado, reescrito & superado pelo livro virtual “Quem se habilita a colorir o vazio?”, disponibilizado de graça no meu blog em 2017. Mesmo assim, o afeto por ele permanece, pois eu inseri as letras da família nas suas páginas: a epígrafe da minha irmã Regina, a Tuca (bióloga de formação, professora doutora referência em Ecologia no país e funcionária do Ipea, também é cantora e compositora de sambas, com um disco lançado) e o posfácio do meu pai-poeta e filósofo Ildegardo Rosa (1931-2011), a comentar os “poemas psicodélicos sobre o cotidiano, que nos habituamos a chamar de realidade” (posfácio póstumo, feito ainda quando o original era “Deserto poema”).

          Além do posfácio e da epígrafe da família, tenho apreço pelo prefácio do professor e cinéfilo André Setaro (1950-2014), ícone supremo da Facom-UFBA, o melhor professor que tive em sala de aula, que me chama de “espinheira” (eu assinava as resenhas da aula como “humilde espinho”) e me caçoa porque sou o único que não gosta de “O Homem que Matou o Facínora” (1962), de John Ford  — cobra-me para que eu veja de novo e ficamos de marcar para assistir juntos em 2014; não deu (não deixe para depois esses encontros, pois a fatura é cara, boleto ácido, contínuo, azeda a cobrança interna por anos). Na semana do 7 a 1, a desgraça que triplica qualquer goleada é a morte do mestre Setaro, uma perda sem tamanho. Uma biblioteca pega fogo em Salvador. É incêndio até o vento varrer as cinzas. O buraco beira a cratera doída que foi perder o meu pai. Setaro, meu amigo — mesmo eu sem beber nem fumar e trinta anos mais novo. Com a saúde debilitada, lamenta não ir ao lançamento de “Nostalgia da lama”. Faço questão de levar o seu exemplar autografado. Mais uma tristeza: não consegue me receber; sou barrado no playground, tenho de deixar o livro com a sua companheira. No dia seguinte, oito de junho, via mensagem no Facebook, a despedida: “Recebi o seu livro com a bela dedicatória... Na minha estrada da vida, os espinhos atormentam-me. De seu admirador — André Setaro”. Não pude mais encontrá-lo.

          2016. Em dois dias de agosto, interrompo a produção do meu primeiro romance (que viria a ser lançado em 2020 como “oroboro baobá”) para organizar uma antologia minha com 15 contos e 51 poemas prediletos; editoro um PDF completo, antecipando o que farei a partir de 2017 com o meu trampo literário. Batizo a antologia de “Quem se habilita a colorir o vazio?”, título reciclado de um post & poema visual do paulista que leva no nome dois baianos-mestres: Gil e Jorge (visto no Facebook do poeta, a palavra VAZIO com as letras formadas por estruturas geométricas a vazá-las, translúcidas, sem cor, poema arrematado pela legenda do Gil Jorge: “Série para colorir! Quem se habilita?”). A ideia é enviar o PDF para pessoas do meio literário, mas desisto logo depois, escaldado com a ausência de resposta de muitas pessoas sobre o meu trabalho. Antologia na gaveta.

          2017, agosto. Concluída uma versão do meu primeiro romance, quero continuar a produzir algo da minha carreira literária. Algo novo? Nada: vou reunir todos os meus contos numa edição “obra completa” (a editora Via Litterarum publicara “Abrupta sede”, “O grito do mar na noite” e “Olhos abertos no escuro” entre 2010 e 2016), revistos e reescritos, para uma nova vida impressa. Dois dias depois, ao nadar na piscina do clube Asbac, manhãzinha da quarta 23, reflito que, antes de trabalhar nos meus contos, preciso organizar os meus poemas. Antes de ser contista, sou poeta. Antiguidade é posto. Então, pauso a seleta ficcional e começo a trabalhar no original “Vermelho laranja roxo verde” (título que reúne as minhas cores prediletas em ordem cronológica: infância, juventude, pós-banda Orange Poem e a vibração atual).

          Vou reunir os 200 poemas produzidos de 1996 a 2017. Fuço tudo do meu arquivo: reviso, reescrevo em várias partes (alguns títulos são refeitos) e reordeno os publicados em “Nostalgia da lama” (apago, do meu blog, trechos, vídeos e 25 poemas na íntegra; apago, também, do meu YouTube, os 10 vídeos em que recitava trechos do “Nostalgia da lama” — só tiveram, ao todo, 223 visualizações, um fracasso); resgato, reviso e reescrevo poemas espalhados em originais engavetados e em posts esquecidos no blog, no acervo de composições e dos repertórios de bandas e discos em que atuei e produzi, como Orange Poem e Pedradura. Nesse processo de resgate & reescrita (trabalho feito em 19 dias no apê 703-B [onde morei de 1992 a 2024], entre agosto e setembro de 2017), gero uma produção que me orgulha, como “Antes tocava Gonzaga”, “A anedota do tolo” e “Uskonto on vaara” (em finlandês, quer dizer “a religião é um perigo”).

          Paralelo a esse processo, ainda em setembro, ao ler o texto “Resgatando obras” no jornal Rascunho #209, tenho vontade de conhecer o trabalho do paranaense Jamil Snege, que está com a obra “fora de catálogo”, ou seja, indisponível. Porém, os sebos cobram preços exorbitantes para os únicos livros disponíveis, usados a ouro. Que merda, hein?! Penso: porra, eu quero ser lido depois de morto, não quero ficar “fora de catálogo”! Amplio: que se dane o livro! Ninguém valoriza, é caro para ser produzido e não vende, e você ainda recebe míseros 10% pelo trabalho todo que teve de fazer, sustentando o promotor (editora) e o vendedor (livraria). Firmo: o meu único compromisso é com a obra. A partir de agora, os meus livros serão editados por mim, com o PDF da obra disponibilizado para download, as páginas salvas como imagens carregadas no blog via posts e também na minha página de escritor no Facebook, tudo de graça, livre e independente, para que a obra permaneça acessível enquanto o Google existir, para além da minha morte, das decisões de herdeiros ou do desinteresse de editoras. Daí, na segunda, 18 de setembro, modifico o título da estreia dessa refazenda: descarto o tonto “Vermelho laranja roxo verde” em prol do belo “Quem se habilita a colorir o vazio?” (dou fim na antologia de 2016).

          Produção a todo vapor: eu me esforço para alcançar a meta de lançar a “obra completa” poética no dia do meu aniversário de 37 anos, para que os poemas ficassem registrados no blog com a data de 07/10/17. Doido, doido... Edito & editoro o PDF (a capa é da fotógrafa e designer Sarah Fernandes, baseada numa foto sua de uma árvore — ela também produziu os flyers e as fotos de divulgação, tudo na camaradagem, presente de namorada, na época), crio as imagens e elaboro os 200 posts, um para cada poema (que foram todos revisados por Acácia Melo Magalhães, paga por mim), e mais o post do livro compilando todos esses links. Chego até a voltar de Cachoeira antes que a Flica 2017 terminasse (primeira e única vez que isso ocorre; perco a chance única & rara de conhecer a moçambicana Paulina Chiziane), para dedicar o meu niver de 37 anos à função de lançar (virtualmente, ufa! — zero autógrafo, zero decepção) “Quem se habilita a colorir o vazio?” às 17h do sábado, 07 de outubro de 2017.

          Giramundo de sete anos à frente, sinto falta de ter novas edições impressas dos meus livros em mãos para vender ou dar de presente a pessoas que se surpreendem com um “você é escritor?”. Que o livro impresso não se dane mais! Vou preparar as novas edições de cada obra que lancei. Então, inicio a produção da 2ª edição de “Quem se habilita a colorir o vazio?” na quarta, 08 de maio de 2024, quando começo a reordenar os poemas e a incluir inéditos no original. Após 42 horas transcorridas em 19 dias, em que revejo todos os poemas, reescrevo alguns, junto poucos num só, modifico títulos e insiro novos (que foram publicados só em inglês ou apenas postados nas redes), a 2ª edição é finalizada com 200 poemas na quinta, 13 de junho de 2024 (com mais uma revisão feita por Acácia Melo Magalhães, paga por mim). Daí, apago todo o conteúdo no blog da edição anterior, inclusive os preciosos posts do dia 07/10/17. Afff... melhor ter ficado em Cachoeira e conhecido a gigante Paulina Chiziane.

          2026, janeiro de verão baiano, decido retomar o projeto das novas edições. Os originais estão prontos desde 2024, engavetados por conta do 2025 exclusivo para os eventos da Mirdad Cultura. Porém, assim como decidira fragmentar a obra completa “O limbo dos clichês imperdoáveis” em novas edições dos três livros de contos “Abrupta sede”, “O grito do mar na noite” e “Olhos abertos no escuro”, seleciono 100 poemas da 2ª edição de “Quem se habilita a colorir o vazio?” (e engaveto o resto) em prol da 2ª edição de “Nostalgia da lama” (decido não publicar o prefácio de André Setaro nem o posfácio de Ildegardo Rosa  —seleciono o melhor trecho de cada e insiro na orelha do livro, uma opção editorial).

          Comparando as duas edições de “Nostalgia da lama”, 31 poemas da 1ª edição foram descartados: “Simple is true”, “Saboreando a fruta gogoia”, “Enfado dos outros”, “Apatia”, “Fase azul”, “Passadinos e etéreos” e “Origami” (da seção “Umbiego” original); “Féfa” e “Haqui” (da “Enfrascafatos” original); “Sete, catorze, 21”, “Calafrio”, “Heróis do imundo”, “O cinza”, “Dar-se-á show”, “Fortaleza discursiva”, “Temporâneo”, “4:17”, “Por baixo da pele” e “Final feliz” (da “Micropatetice” original); “Conveniência”, “Amores inúteis”, “Solitários”, “Fr(e)io” e “Bagulhos” (da “Superficiacidez” original); “O fim do romance”, “Doamar-se”, “Ser(e)ia”, “Casulo”, “Vinícius sentenciou: É fundamental!”, “Breve malestarzin” e “300” (da “Ferinar” original).

          Acho importante informar as alterações de títulos em 12 poemas da 1ª edição: “Ser teu riso” para “O sorriso”, “Não partam minhas pulseiras” para “Não partam as minhas pulseiras”, “Diferenças” para “Enquanto”, “Maria Cegueta” para “Aspirador”, “Calamidade: Confissão de misantropo” para “Débil”, “Manifesto star” para “Papagaio de pirata”, “Os badogues, cadê?” para “Os meninos sem badogues”, “Ei você aqui” para “Barulho”, “Fora da bolha: Crise!” para “A obra vs. a cria”, “Sua? Mulher” para “Ex-sua”, “Open heart surgery” para “Cru, com farinha e quiabo”, “Memórias dos pedaços” para “Canalha” e “Personal Frankenstein” para “Frankenstein”.

          Dos 100 presentes nesta 2ª edição, modifico a seção de 27 poemas. Da original “Umbiego”, os poemas “Depende”, “O sorriso” (“Ser teu riso”), “Cuscuz” e “Inhame” foram para a nova “Dez em graça” (novo nome da original “(P)arte”); “Espiando os velhos”, “A mendiga e eu” e “Carfetal” para a nova “Ferinar”; “Mito” e “As máquinas jamais família” para a nova “Micropatetice” e “Intervalo” e “Átimo” para a nova “Adeus(a)” (novo nome da original “(Mo)rte”). Da original “Superficiacidez”, os poemas “Sandálias de aço”, “Não valer” e “Passeio” foram para a nova “Ferinar”; “Pertença” para a nova “Dez em graça”, “Atento” para a nova “Umbiego”, “Conforto?” e “Objetividade feminina” para a nova “Micropatetice” e “Sonhos não são” para a nova “Adeus(a)”. Da original “Micropatetice”, o poema “Evolução” foi para a nova “Dez em graça”, “Chaveiro” para a nova “Umbiego” e “Formatado após ctrl + alt + del” para a nova “Superficiacidez”. Da original “Ferinar”, o poema “Método infalível de brochar” foi para a nova “Micropatetice”. Da original “Enfrascafatos”, os poemas “Saidinha” e “Hoje” foram para a nova “Micropatetice”. Por fim, da original “(Mo)rte”, o poema “Construção” foi para a nova “Dez em graça”.

          Dos livros lidos durante o processo de feitura completa da 1ª edição de “Nostalgia da lama”, entre janeiro e junho de 2014 (reescrita, revisão, montagem do original, preparativos, lançamento e pós-evento), são estes os que eu considero como os mais importantes para a minha formação como leitor e escritor: os livros de crônicas “Memórias”, “O reacionário” e “A cabra vadia”, de Nelson Rodrigues; os livros de contos “O grito da perdiz”, “Mar de Azov”, “Massacre no Km 13”, “Noites vivas” e “Estranhos e assustados”, de Hélio Pólvora; os ensaios de David Foster Wallace em “Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo”; os romances de Pepetela “A geração da utopia” e “Predadores”; e os livros de contos “O gol esquecido” e “As aventuras de Nicolau & Ricardo: detetives”, de Mayrant Gallo.

          Dos livros lidos durante o processo de feitura da 1ª edição de “Quem se habilita a colorir o vazio?”, entre agosto e setembro de 2017, são estes os que eu considero como os mais importantes para a minha formação como leitor e escritor: os romances “Homem invisível”, de Ralph Ellison, e “A flecha de Deus”, de Chinua Achebe; os ensaios de Haruki Murakami em “Romancista como vocação”; e o infantojuvenil “Os nove pentes d’África”, de Cidinha da Silva. E como o período de produção da 2ª edição dessa “obra completa” da minha poesia é bem curto em 2024, destaco apenas um livro como o mais importante lido durante o processo de feitura: o romance “Niketche: Uma história de poligamia”, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, vencedora do Prêmio Camões, donde peneiro esta pérola: “Quando o amanhã chega se transforma em hoje. O tempo é um jogo de luz e sombra, e a eternidade é o presente instante”.

          Por fim, nos 12 dias de verão produzindo a 2ª edição de “Nostalgia da lama”, destaco também apenas um livro como o mais importante lido durante o processo de feitura: os ensaios de Christopher Hitchens em “deus não é grande — como a religião envenena tudo”. Na trilha sonora, a seleta das músicas presentes no canal @yami_club (o perfil aborda pessoas aleatórias nas ruas de Londres e Nova Iorque e pergunta qual é a sua música favorita no momento; depois aborda outra pessoa e pede para que ela escute, avalie e dê uma nota de 1 a 10 — interessante ver as reações e as escolhas, além das figuras com estilo diferente e cool), com artistas que nunca escutei antes como beabadoobee, Doechii, Baby Geoff, Paul Cauthen, Zach Bryan e Lola Young, consagrados como Billie Eilish, Kendrick Lamar, Jay-Z e Kanye West, e prediletos como Radiohead, Chris Isaak, The Cure e Queen. Finalizo a nova edição (que quero acreditar ser definitiva) de “Nostalgia da lama” no home office do apartamento 1101, da amada rainha caramelo Nara Noronha (no dia em que o seu pai cearense Jucelino Noronha faz 70 anos), localizado no bairro de Piatã, em Salvador, capital da Bahia, Brasil.

31 de janeiro de 2026
Emmanuel Mirdad

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