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Prato feito
Emmanuel Mirdad
Sou um homem destruído
por uma mulher que nada fez,
esbagaçado por uma imagem,
reduzido a um micróbio
a tilintar no automático,
esmagado por um justo silêncio
— até quando?
Estou um prego enferrujado
na insistência da projeção;
pratico a carapuça do traído
sem ter corno algum a me ornar
e, assim, me abstenho
de qualquer fracasso que surja
— por enquanto.
Beatifiquei a minha culpa,
forjei um trono à minha dor.
Tenho fome e destrincho o osso;
lá no fundo do meu poço,
há uma cama macia
e a depressão egoísta
a me fincar por lá
— eu fico.
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