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Pó e Sra.
Emmanuel Mirdad
A senhora varre a sala da casa
para que a poeira volte
e ela tenha que varrer, de novo,
a manhã.
Nas frestas que não alcança, o excesso dos dias;
nos cantos, as dívidas do amanhã farei;
das aranhas no teto, a preguiça de se esticar
— quem sabe depois?
Uma mesma cadência de juntar o bolo de pó
e empurrar à pá, como num dub minimalista,
lixo e fim; outro afazer amanhã, de novo.
Não há como varrer por dentro, nem se deve;
aos anos que findam o ser, acúmulo, apenas;
muito mais do que nas frestas,
a senhora e as suas experiências,
pó, do pó ao pó, por fim.
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