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O rangido
Emmanuel Mirdad
Mal fiz trinta, mas já carrego a solidão dos sessenta
a dobrar o meu não-pertencimento,
a duplicar as negativas apressadas às soluções,
a alternar, falsamente, a armadilha implícita do herói
e o fascínio panaca do mártir pelo pedestal,
que faz dos passos desfile de uma alegoria de gente
pretensamente à parte do lugar comum,
sendo que saída não há,
e a realidade é limítrofe ao oxigênio que define,
a entoar “My Way”, anos-luz da autoridade para,
incapaz de compreender que, primeiro, são os bois;
depois, o carro — rangido minimalista que materializa
a ilusória marcação contínua do extinguir-se.
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